Reflexões / Matutações

O Espírito Santo é o mesmo

26/10/2017

Relendo algumas matutações, para organizar os arquivos, encontrei algumas anotações mais antigas que me levaram a “rematutar”, se é que este termo existe... Coisa de mineiro...

 A leitura dos Atos dos Apóstolos, na realidade de Pedro e Paulo, sempre é surpreendente! Existe tanta convicção, tanto empenho, tanto poder... Apesar das oposições, o Evangelho é levado às nações. Não havia os recursos que temos hoje, mas a experiência do Espírito Santo alimentava e fortalecia a missão. O ideal de estabelecer o senhorio de Jesus, para que o Reino venha, motivava as ações e o testemunho até o martírio. Estevão, Tiago...

 Fico matutando: eles eram tão eficientes quando nós atingimos tão poucos; tão dinâmicos quando parecemos letárgicos; tão cheios de fé, quando nós somos submersos em dúvidas. O comprometimento com o Senhor, a fraternidade, a parresia, são cosas que me questionam e revelam meu comodismo... Sinto-me incomodado...

 Atrás das pessoas realmente comprometidas existe uma experiência decisiva que formou e mudou seus corações e vidas. O comprometimento com o Senhor está enraizado no batismo no Espírito Santo. Mas admito que o efeito sobre os Apóstolos foi, de longe, mais profundo...

 O Espírito Santo que recebi não é diferente daquele que os discípulos receberam no dia de Pentecostes. Não me atrevo pensar que recebi uma versão de segunda classe, enfraquecida, do século vinte e um. O Espírito Santo é o Espírito Santo. A resposta à sua ação é de responsabilidade minha e não d’Ele. Ainda que os primeiros cristãos fossem ingênuos para os padrões modernos, devemos reconhecer que eles eram abertos a Deus, de modo surpreendente.

 O coração do comprometimento é: a experiência do Espírito Santo; a fidelidade à oração e à doutrina; a comunidade de vida partilhada; a prontidão para falar de Jesus.

 Vivemos o tempo da experiência do Espírito e de seu poder! Como os primeiros cristãos, nós também experimentamos o poder do Espírito Santo. Também aprendemos que a efetividade de nossa vida em Cristo nunca estará acima do nível de nossa oração, pois sem oração nenhum fruto é duradouro.

 Hoje possuímos meios inexistentes naquela época e nossa evangelização não produz os mesmos frutos! Não vemos mais o espetáculo da graça da conversão de milhares... É preciso retomar o essencial e não valorizar o circunstancial. Jesus disse que “aguardassem o batismo no Espírito, antes de sair para a missão” – Atos 1,5.

 Com os primeiros aprendemos que é preciso “parresia” para anunciar o Evangelho; que precisamos se fraternos e viver a fraternidade; que devemos confiar no Senhor em todas as coisas. Deus nos preparou para isto. Precisamos colocar nossa fé renovada em prática: rezando pelo batismo no Espírito; proclamando que Jesus Cristo é o Senhor; preparando grupos e comunidades fortes; fazendo discípulos e formando líderes; entregando-nos generosamente à missão; construindo o Reino onde nós moramos e trabalhamos.

 Esses dias são dias para rezar como os primeiros: "Concede que teus servos que anunciem corajosamente a tua palavra. Estende a mão para que se realizem curas, sinais e prodígios por meio do nome do teu santo servo Jesus” - Atos 4,29.

 O Espírito Santo “tem o poder de realizar, por sua força agindo em nós, infinitamente mais que tudo que possamos pedir ou pensar” – Ef 3,20. Pelo Espírito Santo podemos fazer mais do que qualquer coisa do que já experimentamos fazer!

Autor: Tácito Coutinho - Tatá - Moderador do Conselho da Comunidade Javé Nissi

Deixe seu comentário

Últimas


O conteúdo do Natal nos Padres da Igreja - 14/12/2017

Perdemos o senso do Natal! - 13/12/2017

Dia de Nossa Senhora de Guadalupe - 12/12/2017