Reflexões / Matutações

Manhã cinzenta... “o estado é laico”?

05/09/2017

Desculpem o longo texto, mas foi uma manhã cinzenta... Recebi a notícia que o grupo de jovens nossos, que se reunia numa Escola pública, foi proibido, por causa de uma “denúncia anônima”. A acusação foi de proselitismo religioso e o “famoso” refrão: “o estado é laico”!?

 Fico matutando na hipocrisia desta acusação e, ao mesmo tempo, estarrecido com o esforço de abolir qualquer traço religioso na formação dos valores e consciências. O “proselitismo da ideologia de gênero” pode; o recrutamento do tráfico pode; o ateísmo “pregado” em sala de aula pode; etc., etc... Não vou aqui repetir a lista de “coisas que podem” ou que são permitidas em nossas escolas que são nocivas na formação dos jovens. A desculpa do proselitismo é na realidade uma grande mentira proposta por um “estado ideológico” e não “laico”.

 O Estado é laico, quer dizer, não professa uma religião específica, mas deve incentivar o valor religioso, que faz parte da cultura e inteligência da humanidade desde o tempo dos filósofos gregos, criadores da República e da democracia. A laicidade significa que o Estado “deve proteger amplamente a liberdade religiosa tanto em sua dimensão pessoal como social” - Constituição, e não impor, por meio de leis e decretos, nenhuma verdade especificamente religiosa ou filosófica, mas elaborar as leis com base nas verdades morais naturais. O fundamento do direito à liberdade religiosa se encontra na própria dignidade da pessoa humana.

 Infelizmente este laicismo radical e anticristão é notado com clareza em atitudes como a proibição de reuniões religiosas em espaços públicos. Já que são públicos, são de todos, crentes ou não. Na realidade assistimos a ação de um Estado que tenta impedir a vivência religiosa do povo, especialmente o Cristianismo, com uma ação hostil ao fenômeno religioso e a tentativa de encerrá-lo unicamente naesfera privada.

 A Igreja já denunciou aquilo que chamou de “cristianofobia”: a aversão ao Cristianismo – ONU 2003. Esta atitude constitui-se em atos de violência e perseguição, intolerância e discriminação contra os cristãos, ou uma educação mentirosa ou desinformada  sobre o cristianismo. Por isso, hoje, assistimos ações “anônimas” como a que o grupo de jovens foi vítima. Na realidade uma atitude preconceituosa e intolerante... com “áreas de liberdade e modernidade”... Hipocrisia!

 A laicidade é uma ideologia racionalista e estimulada por pelos meios de comunicação social e instituições “inimigas da fé”. O laicismo que hoje vemos é o do Estado que caminha para se tornar um Estado com religião oficial e não um Estado laico: um Estado totalitário ateu, que quer eliminar Deus e a religião e que investe fortemente contra a liberdade religiosa. Um Estado cujo deus é o individualismo, o hedonismo, o prazer material e a “liberdade” para aprovar tudo que desejar, sem restrições morais.

 No centro do laicismo encontramos a “ditadura do relativismo” – Bento XVI, que surge como uma consequência da “ditadura do racionalismo” ateu e materialista, e que elimina a verdade – Rm 1,18. A consequência da eliminação da verdade é o utilitarismo nas relações humanas, a corrupção, a imoralidade – Rm 1,24.

 Proclama-se o “estado laico”, mas na realidade pratica-se o laicismo para bloquear a vida e a atividade missionária, especialmente da Igreja Católica, em sua realidade profunda e positiva.

 Mas não desistimos: “agora Senhor, olha as ameaças que fazem, e concede que os teus servos anunciem corajosamente a tua palavra” – Atos 4,29. Esperemos o “chão tremer”...

Autor: Tácito Coutinho - Tatá - Moderador do Conselho da Comunidade Javé Nissi

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