Reflexões / Matutações

O Amor

28/08/2017

Estava estudando as cartas Paulinas e fiquei “encalacrado” no texto da 1ª Coríntios 13: o amor! Fiquei matutando se este tema não seria o mais “falado, cantado, representado, filmado e escrito” de toda história humana.

 Na filosofia grega Platão, em sua obra “Diálogo”, entendeu o amor, primeiramente como “sentir falta de alguém que nos completa”. Esse “amor-carência” (se se pode falar assim) nasce porque somos pessoas incompletas, somos sempre um pouco carentes e essa carência não é só afetiva, “é uma carência ontológica: precisamos que nos completem. Esse amor-carência é água salgada para quem tem sede. Quanto mais bebe, mais sede sente”- JB Libânio. Ainda Platão reflete que existe outro amor: o amor-benevolência (amor de querer bem) e esse amor existe na humanidade. Existem pessoas que queremos ao nosso lado, para quem desejamos o melhor, por algum motivo qualquer. A amizade, por exemplo. Mas o filósofo não ultrapassa estes “dois amores”.

 São Paulo vai além do “amor-carência” e do “amor-benevolência”; fala de amar “apesar de”! Não é amar a beleza, porque é fácil, amar as coisas belas, porque são belas, mas amar as pessoas “apesar de...”. Amar o outro em sua identidade, em sua liberdade! Amar para que o outro cresça e se torne melhor. Fazer com que o outro seja livre em feliz na sua liberdade, isso é amor. O amor tudo suporta, tudo perdoa, não é egoísta e todos aqueles adjetivos usados por Paulo.

 Mas onde Paulo fez esta experiência de “amor apesar de”, de um amor verdadeiro? Penso - esta é uma opinião minha – que precedendo o “Caminho de Damasco”, no assassinato de Estevão, onde estava como testemunha qualificada – Atos 8,1, ouviu: “Pai, perdoa a esses que me matam”! Paulo foi atingido e nunca se esqueceu: “o amor não leva em conta o mal sofrido, tudo perdoa”- 1Cor 13,3.

Autor: Tácito Coutinho - Tatá - Moderador do Conselho da Comunidade Javé Nissi

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