Reflexões / Matutações

O cristianismo não é a religião de uma lei, mas de uma Pessoa

02/08/2017

“Dia desses” estava matutando que o cristianismo é uma religião do amor e a moral cristã é moral de amor.  Mas o amor é impossível sem a “obediência que une as vontades do amante e do Amado” – Santo Agostinho. O amor é destruído quando esta obediência exigida se realiza por força e constrangimento da vontade. Deus quer um culto livre, espontâneo, sincero, “em espírito e verdade”. Mas é claro que deve existir um limite para proteger a fraqueza humana contra si mesma e este limite é dado pela ordem: “não farás”. Não existe amor verdadeiro se desobedecemos ao mandamento, devemos obedecer, não por ser “um mandamento”, mas sim porque amamos.

 Matutava... O cristianismo não é a religião de uma lei, mas de uma Pessoa. O cristão não é apenas um observante, praticante de normas impostas pela Igreja, é, antes, um seguidor de Cristo, um discípulo. É certo que deve observar normas e mandamentos, mas a motivação para fazê-lo não está na força dos decretos e leis; o motivo é o amor a Jesus Cristo! O amor tem suas leis, mas são leis concretas e existenciais, que estão na vida d’Aquele que amamos. O próprio Jesus, vivendo em nós por seu Espírito, é a Regra de Vida. Seu amor é nossa lei, e ela é absoluta!

 A obediência a esta Regra de Vida, nos conforma com Jesus Cristo, portanto nos aperfeiçoa e nos torna livres. Retoma a “imagem e semelhança” desfigurada pelo pecado; enche-nos com a vida que Ele ensinou a procurar. Este é o valor que determina todas as ações do cristão, pois o cristão vive do amor e, portanto, da liberdade. Mas, não nos iludamos, a obediência ao mandamento de Cristo exige o sacrifício de nossa vontade própria: quem quiser após mim, renuncie a si mesmo.

 O “novo mandamento” resume toda Lei de Cristo: amar a Deus e amar o próximo, não mais como a si mesmo, mas como Ele nos amou. Há um salto quantitativo e qualificativo neste amor devido ao outro. E é para amar assim que “o amor de Deus foi derramado em nossos corações pelo Espírito Santo que nos foi dado” – Rm 5,5. O mundo não conhece este amor...

 “Do mundo” são aqueles que odeiam, porque são escravos de suas ilusões estreitas e seus desejos mesquinhos e egoístas. Não conhecem e nem podem conhecer o Espírito Santo, porque não se dispõem a conformar suas vidas com suas inspirações. Não são livres como o vento “que sopra onde quer”, como são livres aqueles que nascem do Espírito – Jo 3,5. Aqueles “que são do mundo” estão enraizados em suas compulsões e fixados em uma “liberdade espúria” que não os realiza. São incapazes de fazer outra coisa senão “a própria vontade” e assim não conseguem obedecer “renunciando a sim mesmos” e não renunciando, não são capazes de amar, e não amando não são verdadeiramente livres!

 Matutava... As pessoas não podem conhecer e receber o Espírito Santo enquanto “forem do mundo”, pois “o mundo não é capaz de receber, porque não o vê, nem o conhece”. Mas nós, que já “não somos do mundo”, pois que “nascemos de novo” conhecemos o Espírito, porque Ele permanece junto de nós e está em nós! – Jo 14,17. Aleluia!

Autor: Tácito Coutinho - Tatá - Moderador do Conselho da Comunidade Javé Nissi

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