Reflexões / Matutações

Escândalos

28/07/2017

Assisti estarrecido o noticiário falando de um escândalo em nossa Igreja Volta e meia somos surpreendidos por um. Como nossa fé prega a santidade e o apego inegociável aos valores éticos, ficamos profundamente chocados quando tomamos conhecimento de falhas morais ou atitudes reprováveis de alguém – seja de nosso círculo próximo de relacionamentos, seja alguém com mais notoriedade, sobretudo do clero.

 O pecado nos choca, confronta, entristece, abate e revolta... Nessas horas, nosso senso de justiça nos leva a querer e exigir punição severa. Perguntamos: o que devemos fazer nestes casos? Como reagir aos pecados e escândalos que envolvem a Igreja, sem perder a fé na santidade dela?

 Padres e leigos em posição de liderança que falharam; irmãos, irmãs, clero, que pecaram na sexualidade; líderes que abandonaram repentinamente a fé; bons pregadores que passaram a pregar contra o Evangelho… a lista é interminável. No centro está a única causa: o pecado.

 Quedas morais, pecados, são tragédias. São desastres. Não são motivos de piada. Devemos tratá-los com lamento, choro e profunda tristeza. O pecado jamais deve se tornar motivo para escárnio e maledicência. Não devemos multiplicar o escândalo. Não podemos nos deleitar com a tragédia, isso é papel do Diabo.

 Devemos entender é que a Igreja é santa, imaculada, porém, seus filhos não apresentam essas mesmas qualidades, mas, nem por isso, são rejeitados. A Igreja os acolhe, os ama e vê como erro qualquer movimento que afirme que a ela só pode pertencer quem for santo e imaculado. Deus é santo e não tem parte com o pecado. Mas sua santidade é “feita” de misericórdia... Mas isso não significa ser conivente e leniente.

 A caridade aconselha falar sobre o escândalo apenas o estritamente necessário. Devemos falar longamente sobre o escândalo é com o Senhor da Igreja. O nome disso é oração. Portanto, rezar e pedir a misericórdia divina sobre a vida dos envolvidos, clamar por arrependimento e conversão. Ficar com “conversa de lavadeira”, como dizia minha avó, ou ficar “tuiutando” nas redes sociais, não adianta absolutamente nada; rezar adianta tudo.

 Com isso não estou dizendo que devemos aceitar, acobertar, esconder certos procedimentos indesculpáveis. O Papa Francisco é um exemplo a ser seguido no tratamento que dá a esses casos. Os “pecados” geram consequências no mundo secular onde a pessoa que comete um delito é punida de acordo com o código penal. Assim também os delitos cometidos por alguém da Igreja, mesmo que esteja arrependida e tenha sido perdoada por Deus, deve enfrentar as consequências de seus atos.

 A atitude positiva é admitir que somos falhos, que nossa Igreja é falha em seus membros, que o edifício santo é construído por pecadores. Não podemos criar um “clima” de oposição e de “caça as bruxas”, mas também temos o direito e o dever de zelar pela vida virtuosa na Igreja. Multiplicar nossa oração...

 Infelizmente sempre haverá escândalos entre nós, pois vivemos debaixo do pecado. Exercer a misericórdia e buscar a justiça, mas em amor e não com ira, vingança, ódio... Não nos deixar vencer pelo mal, antes vencer o mal pelo bem – Rm 12,21.

Autor: Tácito Coutinho - Tatá - Moderador do Conselho da Comunidade Javé Nissi

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