Reflexões / Matutações

Viver no mundo, sem ser do mundo

06/07/2017

“Dia desses”, no “fim do expediente” de um dia cheio de “reuniões”, conversas, escutas... estava recordando o dia e os dramas que escutei e os conselhos que me foram exigidos, matutava: “Viver no mundo, sem ser do mundo”, é um chamado exigente.

 Como cristãos nada do humano nos é alheio e, portanto, a luz de Cristo deve iluminar o mundo e a vida das pessoas. Quantos vivem nas trevas, perto de nós cristãos, e, embora não saibam, esperam ansiosos o conhecimento de Deus que dará sentido as suas vidas...  Quantos por preconceitos, por seus próprios pecados, ou por causa de nosso mau testemunho, já não querem escutar a Cristo...

 Somos chamados a viver a fé no mundo atual, e de maneira radical: pensando como cristão, sentindo como cristão e atuando como cristão. Isso nos levará, muitas vezes, a sermos sinais de contradição e ao martírio. O Senhor já nos dissera: “Eu vos disse estas coisas para que, em mim, tenhais paz. No mundo tereis aflições. Mas tende coragem! Eu venci o mundo” – Jo 16,33.

 Não ter medo, apesar dos desafios, não temer, em Cristo teremos a vitória! “Não tenham medo de ir contracorrente, quando nos querem roubar a esperança, quando nos propõem estes valores que estão danificados, valores como a comida estragada e quando uma comida está estragada, nos faz mal; estes valores nos fazem mal. Devemos ir contracorrente”! - Papa Francisco.

 Não ter medo de viver como cristão no mundo e assim perseverar até o fim! Desafio, exigência, felicidade! Para tanto é necessário uma vida espiritual sólida da amizade em Cristo; é fundamental a vida fraterna onde “carregamos os fardos uns dos outros”; é preciso permitir que o Espírito Santo nos conduza!

 Hoje viver a fé é um desafio! Nunca faltam ocasiões que nos põem à prova e exigem de nossa parte coerência e coragem para manifestar ao mundo o que cremos. Vergonha, medo, constrangimento, e muitas outras coisas às vezes nos impedem de viver segundo quem somos verdadeiramente. Numa sociedade marcada por uma “cultura de morte” nós, cristãos, somos desafiados a viver com coerência nossas convicções e assim iluminar com a fé em Cristo, um mundo que parece perdido nas trevas da incredulidade.

 O cristão é uma pessoa de fé e a fé não pode ser algo acessório. O acessório, no fundo, é um detalhe que pode ou não estar presente, sem alterar o importante. A vida cristã tem seu sentido em Deus, naquele que nos concedeu o dom da fé e a quem respondemos com a adesão sincera e coerente da própria vida.

 “O Deus digno de fé constrói para os homens uma cidade confiável” - Lumen Fidei, 50. Não há realidade humana que seja alheia à fé, pois o amor de Deus ilumina tudo o que existe. É por isso que, não só o homem, mas também toda a realidade encontrará em Deus seu sentido último: “Eu sou a luz do mundo. Quem me segue não caminha nas trevas, mas terá a luz da vida” – Jo 8,12.

Autor: Tácito Coutinho - Tatá - Moderador do Conselho da Comunidade Javé Nissi

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