Reflexões / Matutações

vida no Espírito

09/06/2017

Algumas “matutações” sobre vida no Espírito que encontrei em “velhos alfarrábios”, como diria o Reinaldo. Anotações feitas em épocas diferentes, durante este “caminho de deserto”...

  • A vida espiritual - "vida no Espírito" -, que amadurece até à santidade, consiste, resumidamente, na ação do Espírito Santo na alma, que nos vai identificando com Cristo, – "cristificando", para usar uma expressão da patrística –, que nos faz viver a vida e o amor dos filhos de Deus Pai: “Deus enviou aos nossos corações o Espírito de seu Filho que clama: "Abá, Pai!" - Gl 4, 6; “todos aqueles que se deixam conduzir pelo Espírito de Deus são filhos de Deus” - Rom 8, 14. Vida de filhos que consiste numa identificação e configuração com Cristo.
  • Se o amor, a caridade, que o Espírito Santo derrama nos nossos corações - Rom 5,5 é, para todos os cristãos, o vínculo da perfeição - Col 3,14, de tal modo que se não tiver caridade não sou nada..., nada me aproveita - 1Cor 13,2, a caridade – essência da santidade – se reveste das características próprias do Coração de Cristo: “haja entre vós o mesmo sentir e pensar que no Cristo Jesus. Ele... não se apegou ao ser igual a Deus, mas despojou-se”... – Fp 2,5.
  • O princípio interior, a virtude que orienta e anima a vida espiritual, é a caridade, participação da própria caridade de Cristo Jesus, dom gratuito do Espírito Santo, e ao mesmo tempo tarefa e apelo a uma resposta livre e responsável do cristão: "O conteúdo essencial da caridade é o dom de si; o total dom de si mesmo à imagem do dom de Cristo" – Bento XVI. A caridade é "particularmente exigente", nela não cabe a tibieza e a mediocridade.
  • Sempre nos chama a atenção a exortação de Jesus no Apocalipse: “tenho contra ti que abandonaste o primeiro amor... Lembra-te de onde caíste”!- Ap 2,4. A caridade jamais acabará - 1Cor 13,8. Isso num duplo sentido: porque nunca para de crescer - 2Cor 4,16, e porque continuará, em plenitude, na visão beatífica, na união com a Trindade. Esse crescimento exige avançar pela via "purificativa", pela via "iluminativa" e pela "via unitiva", que não são três fases sucessivas e simultâneas da vida espiritual. O avanço, pelas três vias, é obra do Espírito Santo.
  • Na vida no Espírito, são pontos pacíficos:

a)      A alma só avança rumo à santidade quanto mais se torna dócil ao Espírito Santo. Os santos são, neste sentido, como grandes veleiros, cujas velas desfraldadas recebem docilmente o impulso dos ventos: O Espírito sopra onde quer e ouvimos a sua voz, mas não sabemos de onde vem nem para onde vai. Assim é também todo aquele que nasceu do Espírito – Jo 3,8.

b)      O verdadeiro progresso na santidade só se dá quando há um predomínio dos dons sobre as virtudes naturais. Não há só o esforço em viver as virtudes, mas também, uma entrega e amor que permite ao Espírito Santo nos conduzir sem opor-lhe resistência: Todos aqueles que se deixam conduzir pelo Espírito de Deus são filhos de Deus... E, se somos filhos, somos também herdeiros: herdeiros de Deus e co-herdeiros de Cristo - Rm 8,14.17.

c)      Aquele que se deixa conduzir avança para a santidade. Aquele que é indócil às inspirações do Espírito Santo e obstrui a ação dos seus dons, esse vai caindo na tibieza, na "mediocridade espiritual", que é o avesso da santidade. O cristão que não luta por adquirir a santidade, além de frustrar a sua vocação, trai Deus e trai a comunidade.

Autor: Tácito Coutinho - Tatá - Moderador do Conselho da Comunidade Javé Nissi

Deixe seu comentário

Últimas


Conversão - 15/12/2017

O conteúdo do Natal nos Padres da Igreja - 14/12/2017

Perdemos o senso do Natal! - 13/12/2017