Reflexões / Matutações

Ainda matutando sobre Pentecostes...

06/06/2017

Ainda matutando sobre Pentecostes... Espírito Santo é a força que impele a Igreja pelos caminhos do mundo dando-lhe uma identidade missionária e católica. Cria a unidade viva do Corpo Místico, santifica os cristãos e reveste- os de seu poder. O próprio Jesus revela que, pelo Espírito, seus discípulos realizariam “coisas maiores do que Ele”, inclusive os milagres! – Jo 14,12

 Os carismas são manifestações variadas e visíveis de uma realidade única: a vinda do Espírito a alma dos cristãos. São manifestados para a edificação da Igreja e são complementares uns dos outros. “Há diversidade de dons, mas o Espírito é o mesmo; há diversidade de ministérios, mas o Senhor é o mesmo; há diversidade de operações, mas é o mesmo Deus que opera tudo em todos” – 1Cor 12,4.

 A cada um é dada a manifestação do Espírito, em vista do bem de todos – 1Cor 12,7. Apesar de nossas fraquezas e pecados, o Espírito Santo nos é dado e faz sua morada em nós. Assim os cristãos são chamados a serem "‘pedras vivas’ na construção de um edifício espiritual" – 1Pd 2,5.

 O Espírito Santo não se manifesta a si mesmo, ele glorifica e manifesta Jesus Cristo e n’Ele o Pai. Sua ação é semelhante à ação do vento que não se vê, mas é percebido no rosto de quem ele sopra...

 O Espírito Santo está em ação pelos carismas - Rm 12,6 e 1Cor 12,8. Alguns deles são extraordinários, outros são mais discretos. Lendo os escritos de São Paulo vemos sua variedade: do “falar em línguas” ao “milagre”; da “assistência e governo” ao “discernimento dos espíritos”...; assim a Igreja de Cristo não aparece como uma simples organização administrativa; é o Corpo místico de Cristo vivo e pessoal, animado pelo Espírito.

 Os Atos dos Apóstolos nos revela uma Igreja cheia de carismas, de cristãos carismáticos, a ponto de S. Paulo escrever para orientar a comunidade de Corinto a respeito deles. A gente se pergunta: por que a abundância das manifestações dos carismas cessou com o passar do tempo? Na opinião de são João Crisóstomo a Igreja nascente tinha necessidade dos carismas, tratava-se de um estado de exceção. A respeito disso Cardeal Suenens diz que a “resposta é fraca e embraçada”. Os carismas nunca desapareceram da Igreja porque o Espírito permanece fiel a ela.

 A diferença entre nossa fé e a dos primeiros cristãos, é a medida de nossa acolhida às riquezas do Espírito. O que nos falta é uma percepção de nossa identidade cristã: não ousamos crer, com uma fé expectante, que toda a variedade dos dons do Espírito permanece sempre disponível para a Igreja de Deus. Não cremos suficientemente que somos ricos de todas as riquezas de Deus e que nos cabe, na fé, apelar humildemente para estas riquezas e acolhê-las com confiança.

 O cristão não sabe quem ele é: filho de Deus e herdeiro do Reino. Ignora que dispõe de tesouros espirituais que permanecem enterrados por falta de conhecimento de sua existência. Falta-nos a fé que coloca em atividade os carismas... Enfim, é bom que se diga que todos os cristãos são carismáticos por definição; o que os distingue é a consciência mais ou menos viva que se têm desta realidade fundamental e ordinária, comum...

Autor: Tácito Coutinho - Tatá - Moderador do Conselho da Comunidade Javé Nissi

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