Reflexões / Matutações

A experiência do batismo no Espírito Santo

16/05/2017

Desculpem mais uma vez o texto longo, mas estava matutando sobre a experiência do batismo no Espírito Santo, que é o objeto do “apostolado da Renovação Carismática” – D. Alberto TAVEIRA e que justifica sua presença na Igreja hoje. O batismo no Espírito é o que pode impulsionar a “cultura de Pentecostes, a única capaz de instaurar a ‘civilização do amor’” – S. JOÃO PAULO II.

 O batismo no Espírito Santo é uma experiência de conversão (metanoia, mudança radical de mentalidade) e de vida nova. Não se trata de um conhecimento intelectual, ou uma devoção, mas sim de um sentido existencial: Jesus Cristo, e somente Nele encontramos nosso ser.

 O batismo no Espírito Santo é uma experiência de fé, experiência do Sentido radical, ou seja, uma experiência que fundamenta, ou dá um sentido radical (se torna raiz, fundamento) ao “ser” do indivíduo que “sofre” tal experiência a partir do dado crítico e é “subjetiva, pois é própria do indivíduo. Não se pode experimentar pelo outro, por isso ela é original em cada um” – Karl RHANER.

 Embora a experiência do batismo no Espírito Santo seja subjetiva, possui sinais objetivos que autenticam tal experiência. Observando essa experiência durante esses anos todos, conclui que a emoção ou estado eufórico, embora possa acontecer, e de fato acontecem na maioria das vezes, seja uma garantia.

 Penso que os sinais da autenticidade da experiência mais significativos seriam: (a) uma profunda conversão caracterizada pela mudança da mentalidade e de vida; (b) um novo dinamismo espiritual, que se configura na vida no Espírito; (c) a busca sincera da vida de santidade; (d) Impulso testemunhal, martírio e missão, onde os carismas se manifestam; (e) vida fraterna, a experiência do Espírito implica numa vida comunitária, a “utopia evangélica” de não haver necessitado entre nós e testemunho do “vejam como se amam”, de Tertuliano.

 A experiência do Espírito é comunicada, ao indivíduo ou grupo, por uma fé que dá testemunho do senhorio de Cristo pelo poder do Espírito - At 2,36. O testemunho provoca o impacto “compungindo os corações” - At 2,37 daqueles que “estão vendo e ouvindo". De fato, foram atingidos em todo seu ser, sendo o “coração” a sede do “querer e decidir”, onde estão os “valores que contam”.

 Lembro uma observação importante do Cardeal SUENENS, no Documento de Malines 1: “A experiência do Espírito Santo era a marca de um cristão. Por ela os cristãos se definiam pelo menos em parte em relação aos não-cristãos. Eles se consideravam representantes não de uma nova doutrina, mas sim “testemunhas” de uma nova realidade pelo poder do Espírito Santo. O Espírito era experiência real, de tal forma que não podiam negar sem negar que eram cristãos. Deve-se, pois, admitir que a experiência de fé seja inerente ao testemunho do Evangelho e omitindo-se essa dimensão na vida da Igreja, nós a empobreceríamos ao extremo”.

 “Necessitamos de um novo Pentecostes! Necessitamos sair ao encontro das pessoas, das famílias, das comunidades e dos povos para lhes comunicar e compartilhar o dom do encontro com Cristo, que tem preenchido nossas vidas de “sentido”, de verdade e de amor, de alegria e de esperança! Não podemos ficar tranquilos em espera passiva em nossos templos, mas é imperativo ir em todas as direções para proclamar que o mal e a morte não tem a última palavra, que o amor é mais forte, que fomos libertos e salvos pela vitória pascal do Senhor da história, que Ele nos convoca na Igreja, e quer multiplicar o número de seus discípulos na construção de seu Reino em nosso Continente!” – DA 548.

Autor: Tácito Coutinho - Tatá - Moderador do Conselho da Comunidade Javé Nissi

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