Reflexões / Matutações

A vida fraterna começa na experiência de Deus como Pai...

09/05/2017

Fico matutando se a vida fraterna não começa na experiência de Deus como Pai... Quando se fala em fraternidade, pensa-se muitas vezes somente na comunhão com os outros e talvez não se perceba que o princípio da fraternidade é interior: é a convicção de que somos irmãos que nos faz viver como irmãos.

 A Fé nos revela que Deus é Pai. O Evangelho se resume nisto: Deus é Pai e nos ama. Daí a necessidade de buscarmos viver como filhos, porque “o somos de fato” - 1Jo 3,1. Este é o sentido da nossa vida. Se não percebermos esse ponto de referência radical da vida, a relação com os outros vai reduzir-se à "uma convivência" meramente sociológica.

 Na realidade, Deus nos chama para a comunhão. O apelo para nós é o viver em comunidade, ou seja, em comunhão. A comunhão se realiza nas diferenças que necessariamente existem. Quando todas as diferenças estão fundamentadas num único núcleo, nos encontramos e comungamos nele. O apelo é sermos segundo o Pai e não segundo nós mesmos. Para fazer isso é preciso desinstalar-se, sair de si.

 O questionamento é sério: qual o centro de nossa vida? Quais são nossas convicções? Quanto tempo empregamos na oração? Oração que significa, antes de tudo, acolher, experimentar a Deus Pai, de tal modo que apareça em nós a obediência e o viver à luz de Deus. É obediente aquele que se coloca à escuta de Deus para assimilar seus critérios. O que isso traz de exigência para nossa vida na linha da conversão?

 A filiação só se realiza em nós no momento em que nos decidimos a ser obedientes ao Pai. E muito fácil dizer que somos todos irmãos, que Deus é nosso Pai mas... o que fazemos para obedecer a esse Pai? Em que consiste em geral, nossa oração: em falar todo o tempo para que Ele não possa fazê-lo ou simplesmente em estar atentos, à escuta do que Ele nos fala a partir de dentro? Ao redor de que - e de quem - gira nossa oração?

 Quando o "eu" é a norma de referência da vida, deseja-se que os outros sejam segundo esse eu. É aí que se perde a tranquilidade. É preciso pedir a verdadeira sabedoria; o “saborear” esta verdade: Deus é nosso Pai e, como filhos colocar-nos em suas mãos.

 "Bendito seja Deus, o Pai de Nosso Senhor Jesus Cristo! Na sua grande misericórdia Ele nos fez renascer pela ressurreição de Jesus Cristo dentre os mortos, para uma viva esperança...” 1Pd 1,3. De onde tiraria São Pedro tudo isso senão da experiência? Para nós a alegria está em viver como filhos e irmãos!

Autor: Tácito Coutinho - Tatá - Moderador do Conselho da Comunidade Javé Nissi

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