Reflexões / Matutações

Uma experiência antes de se tornar objeto de doutrina

08/05/2017

No começo da Igreja, a ação do Espírito Santo foi “uma experiência antes de se tornar objeto de doutrina” – Card. Suenens. À luz da experiência se desenvolveu a doutrina. A experiência de receber o Espírito Santo geralmente não passava despercebida nas pessoas ao contrário, era percebido e experimentado em si mesmo e nas suas manifestações externas de maneira mais ou menos imediata: "Aquele que vos confere o Espírito e opera milagres entre vós...” -  - Gál 3,5.

 "A experiência do Espírito Santo era a marca de um cristão. Por ela os cristãos se definiam, pelo menos em parte, em relação aos não-cristãos. Eles se consideravam representantes não de uma nova doutrina, mas sim de uma nova realidade: o Espírito Santo” – Doc. Malines 1. Na comunidade primitiva, o Espírito era um fato vivo de sua experiência, que não podiam negar sem negar que eram cristãos.

 "É Ele que vos batizará no Espírito Santo e no fogo" - Mt 3,11... Esta promessa vai ter seu cumprimento, externo e visível ao mesmo tempo, no dia de Pentecostes: "Então apareceram línguas como de fogo. (...) Todos ficaram repletos do Espírito Santo" - At 2,3-4.

 "Eu vim para atear fogo sobre a terra" - Lc 12,49. Em Pentecostes "o fogo que queima os espinhos dos pecados e dá esplendor à alma" – Cirilo de Jerusalém. Um antigo responsório do Ofício de Pentecostes diz: "Sobreveio um fogo divino, que não queima, mas ilumina, não consome, mas brilha; encontrou os corações dos discípulos como receptáculos puros e distribuiu entre eles os seus dons e carismas"...

 O Espírito age como um fogo, não como fogo que purifica e refunde, mas como fogo que aquece e inflama... A Liturgia nos faz dizer, na Missa de Pentecostes: "Vinde, Espírito Santo, enchei os corações dos vossos fiéis e acendei neles o fogo do vosso amor", e ainda: "Aquece o que está frio"...

 O Espírito comporta-se como o fogo quando se apega à lenha úmida: primeiro o expurga, arrancando-lhe com barulho todas as impurezas, depois o inflama progressivamente, até que se torne toda incandescente e ela mesma se transforme em fogo.

 O Espírito Santo nos preserva de cair na tibieza e, se por acaso já tivermos caído ou estivermos caindo, livra-nos dela. Da tibieza não se pode sair sem uma intervenção do Espírito Santo, intervenção nova, decisiva. O remédio para a tibieza não é o fervor, mas é o Espírito Santo: precisamos de Pentecostes!

Autor: Tácito Coutinho - Tatá - Moderador do Conselho da Comunidade Javé Nissi

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