Reflexões / Matutações

O discernimento espiritual

19/04/2017

Cristo ressuscitou! Aleluia! Aleluia! Aleluia!

 Estava rezando lá na cruz do Campo de Pentecostes, quando me veio à memória um “desenho animado” de minha infância onde o personagem era tentado por um “diabinho simpático” que ficava sobre seu ombro “esquerdo” (?) e assoprava em seu ouvido o que ele deveria fazer para a satisfação de seus desejos. O desenho ainda apresentava um “anjinho” no outro ombro tentando demover o personagem de fazer aquilo que o “diabinho” sugeria.

 Lembrei-me do ensino paulino: para alcançar os seus fins e fazer-se aceitar, o Maligno se disfarça em anjo da luz, se faz simpático! - 2Cor 11,14 O “desenho animado” tratava de uma realidade espiritual séria: o “discernimento espiritual”!

 A reflexão é óbvia: o “desenho” é figura do combate que vivemos, nós que estamos no mundo, nas situações conflituosas com as quais nos confrontamos na família, no trabalho, na comunidade, etc. A capacidade de discernir os espíritos, os nossos pensamentos, para saber se são de Deus ou não e, por conseguinte, se devemos consentir com eles ou resistir a eles, é importante, é fundamental!

 O discernimento espiritual nos auxilia distinguir a provação– que conduz ao crescimento e à vida – da tentação – que conduz ao pecado e à morte. A verdade é que, se o mal se apresentasse a nós sob a forma de mal, nós o rejeitaríamos facilmente. Mas a tentação é mentirosa. O seu objeto é aparentemente “bom, formoso à vista, desejável” - Gn 3,6, ao passo que, na realidade, o seu fruto é a morte. O diabo nunca se apresenta de cara limpa.

 Este é o drama. De um lado, nossa liberdade frágil, nosso espírito grosseiro, aturdido pelos sentidos do mundo. Do outro lado, a vida divina que levamos em nós, animada pelo Espírito Santo. O Espírito, com efeito, não está passivamente em nós porque é Amor, é Deus! Ele não somente nos concede participar na natureza divina de maneira inaudita, mas é também o princípio do amor que age constantemente em nós pelos impulsos na vontade e pela iluminação da inteligência. Ele nos ajuda a viver segundo o que somos. “Os que são conduzidos pelo Espírito de Deus são filhos de Deus” - Rm 8,14.

 A solução é deixar-se conduzir pelo Espírito - Gl 5,16, deixar-se transformar pelo Espírito na imagem de Cristo - 2Cor 3,18, viver segundo o Espírito - Gl 5,25, livremente. Porque podemos opor-nos à ação do Espírito, podemos entristecê-lo - Ef 4,30. O Espírito não age como um tirano. Não nos trata como robôs. Sua ação é profunda, mas discreta. Convida sem impor. Não nos faz perder a nossa liberdade, mas nos torna livres.

 A docilidade ao Espírito não vem a nós por si só. Deve ser aprendida lentamente num aprofundamento contínuo de nossa escuta e de nossa disponibilidade.

 Vigiar e Orar!

Autor: Tácito Coutinho - Tatá - Moderador do Conselho da Comunidade Javé Nissi

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