Reflexões / Matutações

O dom da piedade

14/03/2017

"A piedade é um dom pelo qual veneramos e amamos a Deus e aos Santos, e conservamos ânimo bondoso e benévolo para com o próximo, por amor de Deus" - São Pio X.

 O cristão, pelo dom da piedade, sabe que Deus é nosso Pai e quer o nosso bem e o que é melhor para nós. Sabe que a felicidade consiste em conhecer Sua vontade e em realizá-la sem procrastinações e preguiça. Da confiança na paternidade divina nasce a serenidade, mesmo nas tribulações, pois sabe que tudo concorre para o bem dos que amam a Deus – Rm 8,28.

 “O dom da piedade produz a serenidade em todas as circunstâncias; o abandono cheio de confiança na Providência, porque, se Deus cuida de todas as coisas criadas, muito maior ternura manifestará para com os seus filhos" – S. Tomás de Aquino.

 O dom da piedade faz frutificar em nós um amor filial para com Deus, e nos leva a viver como filhos muito amados - Ef 5,1, que se relacionam com o Pai com ternura e confiança de filhos - Gal 4, 6, que vivem uma profunda fé na Providência que leva ao abandono alegre à divina Vontade.

Esse dom nos move a um espírito de oração afetuoso e sincero, a amar as práticas de piedade, a devoção pela Eucaristia e a um amor filial por Maria. Sempre nos aponta o modelo de "Filho", que é Jesus Cristo, para que o imitemos. Infunde também um amor fraterno por todos os que são filhos do mesmo Pai Deus, que é inseparável do nosso amor a Deus - 1Jo 4,21.

 Quando o obstruímos as práticas da vida religiosa se deterioram, até cair no formalismo, no desleixo e na inconstância na oração; sem a piedade domina o tédio pelos momentos de adoração e meditação; advém o egoísmo e a "lei do gosto" na oração pessoal... O coração, vazio de piedade, cai facilmente na tentação das compensações e, fragilizado, “se torna presa fácil do inimigo da natureza humana” – S. Inácio de Loyola.

 Prestemos atenção! Nunca é demais lembrar os perigos que a tibieza traz à vida do cristão. “A tibieza é o resultado do fechamento e resistência à ação do Espírito Santo em nós por seus dons” – Garrigou-Lagrande.

 A tibieza nos cega e incapacita para a compreensão e a caridade para com os outros, para o perdão dos que nos ofendem, perseguem ou caluniam, e vai levando-nos, cada vez com mais força, a guardar ressentimentos, envenenando a alma.

 A tibieza, abafando o amor filial e o amor fraterno, conduz ao fracasso dos ideais de santidade. O coração orgulhoso revolta-se e a soberba faz com que, em vez de "voltar-se" contra si mesmo e, mediante a humildade e a contrição, pedir perdão a Deus, o tíbio despeja sua frustração sobre os outros, culpando-os por sua infelicidade. Não é raro que isso produza desejos de vingança e a murmurar e caluniar, tornando-se cumplices dos inimigos de Cristo e da Igreja – Flp 3,18.

 Rezemos: vinde Espírito Santo!

Autor: Tácito Coutinho - Tatá - Moderador do Conselho da Comunidade Javé Nissi

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