Reflexões / Matutações

A língua

08/02/2017

Estava “arrumando” meus velhos cadernos – alfarrábios, como diria o Reinaldo - e encontrei alguns escritos sobre maledicência e murmurações. As anotações são frutos de meditações antigas, sobretudo da direção espiritual, na juventude, do padre João Rinja, um missionário holandês. Num tempo sem computador e tudo era anotado... Transcrevo os escritos como os encontrei.

 Muitas vezes o amor próprio disfarça a maledicência e murmuração em zelo e caridade. Na realidade o verdadeiro motivo é o orgulho e a arrogância. Que utilidade pode ter o jejum se, deixando de comer nos mordemos e devoramos os irmãos? Quem inventa calúnias come a carne dos irmãos e morde o próximo: “se vos mordeis e vos devorais uns aos outros, cuidado para não serdes consumidos uns pelos outros” - Gl 5,15. É preciso pedir perdão a Deus, arrepender-se...

 A calúnia não é só quando se fala o que é mentira e se difama. Quando se murmura contra o irmão, mesmo dizendo coisas verdadeiras, comete-se a mesma falta. O fariseu da parábola disse a verdade a respeito do publicano, que era mesmo pecador. Porém, não tirou vantagem nenhuma disto, porque o publicano “voltou para casa justificado, mas ele não” - Lc 18,14.

 Não haja murmuração entre os irmãos por motivo algum, com nenhuma palavra ou observação maliciosa. Nem mesmo no coração se nutram sentimentos maldosos ou contrários ao irmão. Não somente deve-se evitar falar mal dos outros, mas é preciso, também, não ouvir quem murmura contra o outro. Devem-se fechar os ouvidos a tais palavras. Diz o Senhor: “quem calunia em segredo seu próximo, vou reduzi-lo ao silêncio” - Sl 101 (100),5.

 Que vantagem existe em saber que alguém não é bom? Procuremos falar com quem erra. O Evangelho nos ensina a “correção fraterna”, feita na caridade. Mas, primeiro enfrentemos nossas fraquezas, olhemos para nós mesmos e examinemos nossa consciência e com certeza descobriremos nossas hipocrisias – Mt 7,5. Como receberemos o perdão, se não consideramos nossas culpas e preferimos “sondar” a vida e as atitudes alheias?

 “Ouviste algo contra o próximo? Guarda-o contigo, e tem certeza de que não te prejudicará” - Eclo 19,10. O que significa: “guarda-o contigo?” Quer dizer: destrua-o, enterre-o – hoje diríamos “delete” – e não permita que se espalhe. Não tolere que outros sejam maledicentes. Se os detratores dos outros perceberem que os desprezamos mais os acusados por eles, desistirão deste mau costume e arrependerão deste pecado.

 A murmuração e a calúnia geram ódio e discórdia, mas o falar bem do próximo é princípio de amizade e paz.

Autor: Tácito Coutinho - Tatá - Moderador do Conselho da Comunidade Javé Nissi

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