Reflexões / Matutações

Fiquei matutando... A preguiça

06/02/2017

Lembrei-me do padre Natal, em Cruzeiro - SP, na minha infância... No alto falante da Igreja Matriz contava a história da preguiça, com aquele sotaque pesado... “Preguiça você “quêr” comer? Respondeu a preguiça: eu quero. “Enton” vá buscar o prato! Eu “non” – retrucou a preguiça. Coitada da preguiça morreu de fome”.

Fiquei matutando... A preguiça, na maioria das vezes, provém de uma doença na vontade, que se recusa ao esforço, chegando até a temê-lo. Isto pode parecer que isso não nos diz respeito. Mas, se formos sinceros conosco, veremos que esta postura, muitas vezes, é a nossa! Sabemos que a preguiça não convém a um cristão porque não a encontramos em Cristo.

O repouso, o descanso, foi mandamento de Deus, porque, Ele mesmo, tendo trabalhado na criação, descansou ao fim – Gn 2,2. O descanso é necessário! Mas seria equivocado dizer que Deus ficou ocioso em seu repouso! Descansar não é ficar inativo e inerte, “curtindo” a preguiça...

Interessante notar que muitos passam a vida esperando o momento em que “não precisarão mais trabalhar”. Esta mentalidade também está presente na religião: alguns não veem a hora de “aposentar”... do apostolado... Outros pensam que o domingo é para ficar inativo, sem se envolver em nenhuma atividade relativa à missão cristã, fazendo do preceito do descanso uma desculpa para a preguiça.

Devemos evitar que a preguiça nos domine, por isso não podemos negar o serviço, permanecendo sempre na ociosidade. Conhecemos as várias desculpas da preguiça: estou ocupado... tem gente mais capacitada... O empenho ativo começa nos pequenos afazeres que não podem ser descuidados. É necessário colocar-se a serviço, numa atitude positiva.

Não se trata apenas de não praticar o mal, mas principalmente não deixar de fazer o bem, pois sabemos que a árvore que não der frutos será podada - Mt 3,10 e que o talento não pode ser enterrado - Mt 25,14.

A preguiça precisa ser combatida com ascese, vigilância e o cuidado do coração que se faz, sobretudo na oração, no ouvir a Deus e isso muitas vezes não é agradável...

A luta contra a preguiça não pode ser minimizada. Mas não devemos ficar tristes se, muitas vezes, não encontramos alegria em fazer coisas para Deus. Os atos de amor não têm em vista nós mesmos, mas Aquele a quem oferecemos estes atos, ou seja, Nosso Senhor Jesus Cristo. Nosso amor também se demonstra na perseverança e determinação em cumprir nossos deveres de apostolado e de estado, ainda que muito nos custem. Deus, que tudo sabe, verá nosso esforço e os dias passados aqui “neste vale e lágrimas”, nos servirão para a alegria do Céu.

Autor: Tácito Coutinho - Tatá - Moderador do Conselho da Comunidade Javé Nissi

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