Reflexões / Matutações

Vivemos assim, sempre de inícios e de esperanças...

03/01/2017

O ano ainda não começou verdadeiramente, pois o Carnaval ainda está longe. Os prefeitos e vereadores eleitos foram empossados e neste clima de esperança, apesar das notícias não serem muito alvissareiras, aguardamos o ano começar “de fato”, como diz o Carlinhos.

 Fiquei matutando: vivemos assim, sempre de inícios e de esperanças... Nesta ânsia, muitíssimas vezes o homem esquece Deus e pensa que pode sozinho, somente com sua boa vontade e inteligência construir um mundo melhor. Ilusão!

 A história de Babel denuncia a tentação constante da humanidade: construir-se sozinha, por si mesma, tendo como única referência a si própria e seus quereres: “Vamos construir para nós... Assim nos faremos um nome” - Gn 11,4. A torre significa a vontade humana de construir uma sociedade voltada para si mesma e a partir de seus próprios critérios e valores, de maneira “livre”, sem considerar Deus. A torre virou Babel, confusão, conflito e dispersão!

 Continuamos querendo construir uma torre, com nossa ciência, autonomia e ilusória liberdade, verdadeiro “homo sapiens” e “mulher sapiens” (lembram?). Mas, o que temos construído? Temos construído Babel! Confusão! É só olhar os noticiários alarmantes: acusam os que apuram o crime de serem responsáveis pelas desgraças econômicas que atravessamos! Ora, façam-me o favor!

 O salmo 127(126) adverte: “Se o Senhor não construir a casa, é inútil o cansaço dos pedreiros.” Sim; isto mesmo! Sem abrir-se para Deus o homem não se encontra e não encontra um alicerce firme e profundo o bastante para edificar uma sociedade melhor, que é promessa feita nos palanques. É por isso que a Escritura, à Babel (confusão) contrapõe Jerusalém (realização plena).

 O homem não edifica Jerusalém com suas forças, ela desce do céu, como dom gracioso de Deus. A paz, a salvação, o encontro do homem consigo mesmo e com os outros somente podem acontecer com a abertura para o Senhor. A humanidade plenamente realizada, a “civilização do amor” - sonho de todos nós - só será possível a partir da conversão ao Evangelho de Deus.

 Há um mundo a ser construído, há tanto amor a ser testemunhado, há esperança a ser plantada. E, se não formos nós, quem o fará? Somos sal, somos luz. Um documento cristão do século II dizia que os cristãos no mundo têm tal responsabilidade que não lhes é permitido voltar atrás.

 

Novo ano, novo governo, propostas, esperanças. Tudo tão novo, e tão velho... Se o Senhor não construir, tudo será em vão!

Autor: Tácito Coutinho - Tatá - Moderador do Conselho da Comunidade Javé Nissi

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