Reflexões / Matutações

A vida de Jesus

29/11/2016

Matutava sobre a vida de Jesus... O ritmo de sua vida e ministério gravitava entre o “ser para os outros” que é a dimensão do serviço e o “ser com Deus” que é a dimensão da oração. Jesus sabia como ir de um ponto ao outro com naturalidade.

A vida cristã é toda articulada nestas duas dimensões: “ser para o outro” e “ser com Deus”. É preciso insistir que as duas dimensões são essenciais e complementares. O “ser para os outros” exige o “ser com Deus”, e vice versa, pois a vida cristã sem o serviço é uma forma de egoísmo espiritual e sem a oração o serviço é ativismo sem sentido.

São duas presenças exigidas: presentes em Deus e presentes no mundo. É necessário buscar um equilíbrio entre estas duas dimensões e para tanto é exigida uma ruptura.

É preciso, algumas vezes, subtrair-se ao assédio das demandas, romper o cerco dos compromissos, para ir a “um lugar solitário” para rezar. Isto não é abandonar “o mundo”, pelo contrário, pois na oração o “mundo e suas demandas” estão presentes conosco diante de Deus. É precisamente no “ser com Deus” que se realiza efetivamente o “ser para o outro”.

Outras vezes é preciso romper com o desejo de “armar três tendas” e permanecer “em Deus”, e “descer da montanha” para a “planície” que nos espera com seus apelos, necessidades, exigências, homens e mulheres... “ser para os outros”... – Mt 17.

Viver verdadeiramente “para o outro” implica em sentir necessidade de “ser com Deus” e se somos capazes de permanecer com Deus, devemos sentir a necessidade de ir ao encontro dos outros. Quem falta ao encontro com Deus, falta também ao encontro com os homens e quem não busca o serviço dos homens, dificilmente encontrará a Deus.

O risco moderno é o ativismo: fazer uma porção de coisas, um agitar-se, que não é sustentado por uma consistente vida de oração. O “ativismo” é apresentado como verdadeira vida, mas não é.

Um agitar frenético é sintoma de falta de vida interior, é sinal de morte! Pode parecer estranho, mas é assim: a agitação do trabalho pastoral “automático” e a falta “de tempo” para a oração oculta um vazio interior... agitados, mas mortos!

Quando falta o “ser com Deus”, o “ser para os outros” acaba num “ser contra os outros”.

Importa não trair a Deus e tampouco, não trair os homens...

Autor: Tácito Coutinho - Tatá - Moderador do Conselho da Comunidade Javé Nissi

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