Reflexões / Matutações

Alimente o fogo

11/10/2016

Como o fogo precisa de lenha para permanecer constantemente aceso, assim também O Espírito Santo exige nossa cooperação para que continue conduzindo nossa vida. Depende de nós manter o fogo aceso ou deixar que ele se apague: “Não apagueis o Espírito” - 1Ts 5,19. O que pode “apagar o Espírito” é a preguiça, a negligência, a rotina, a falta de oração...

 Nós mineiros gostamos de “trens”, das “marias-fumaça”. E havia uma linha de Itajubá até Soledade de Minas. Na juventude tomávamos o trem até a Cristina para jogar bola. Do vagão, 3ª classe, escutávamos o maquinista gritar ao foguista: alimente o fogo, alimente o fogo, mais carvão, a serra está chegando! Se o fogo apagar não subimos! Alimente o fogo! Alimente o fogo!

 Pode acontecer que a caridade e a perseverança esmoreçam-se e diminuam aos poucos, e até mesmo se extingam. De um lado, por causa da fraqueza humana e inconstância; do outro, em razão das provações, omissões e preguiça. É preciso reavivar a chama! Reacender o amor a Deus e a caridade fraterna! É preciso estimular novamente o crescimento das virtudes.

 Um antigo líder, incansável na missão, referência para muitos, procurou-me e declarou assim de pronto: “Apaguei”! Não sinto mais o fervor e o entusiasmo de antes. Tudo me parece sem sentido. Já cansei de pedir que rezassem por mim, e nada acontece... Escutei com atenção e, contei-lhe uma história dos tempos do Colégio que ouvi do santo padre Hugo Grecco:

 Um homem que em tempos anteriores era muito devoto e piedoso, perdera o entusiasmo e a alegria de servir. Caíra na “mornidão” e aí permanecia. Esse homem, neste estado, procurou um santo abade e pediu que rezasse por ele, para que saísse daquela situação. Voltou outras vezes com o mesmo pedido e na mesma situação.

 Um dia o sábio abade pediu que ele o ajudasse a carregar até a adega um grande cesto de uvas, recém-colhidas, que estavam no pátio. Cada um apanhou uma alça do cesto, mas enquanto o homem fazia força, o abade, permanecia imóvel. O homem, cansado, perdeu as estribeiras e reclamou: “enquanto eu me esforço, você nada faz”! Respondeu o sábio abade: “você também tem que cooperar com o Espírito Santo. Não basta Ele querer arrancá-lo de seu estado, não basta eu rezar por você, se você não faz sua parte”!

 Para reacender este fogo é fundamental retomar o “primeiro amor”, buscar a conversão à vontade de Deus, retomar às “praticas da primeira hora”, quando estávamos ainda sob o impacto da experiência do amor de Deus. Isso exige esforço, convicção, renúncias... Para tanto são fundamentais a oração, a leitura e meditação da Palavra de Deus, a ascese, o zelo no trabalho apostólico, a participação na comunidade. Nada será possível sem a generosidade de coração.

 Com tais medidas, poderá ser reavivado o “fogo” em nosso coração, despertada a liberdade de espírito adormecida e aprisionada. Vencido o egoísmo e eliminado o medo, voltará a arder o fogo do Espírito!

 Alimente o fogo! Alimente o fogo!

Autor: Tácito Coutinho - Tatá - Moderador do Conselho da Comunidade Javé Nissi

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