Reflexões / Matutações

Ainda sobre obediência

23/07/2016

Não se podem negar as deformadas atitudes históricas com que, não poucas vezes, viveu-se na Igreja uma mentalidade e uma prática de obediência servil ou alienante, por ser autoritária ou impositiva. Assim se perdeu o caráter ativo, dinâmico, fonte de renovada criatividade, próprio da obediência da fé

O próprio Jesus feito homem, em sua relação com o Pai, não vem ao mundo com um código de instruções embaixo do braço. Em suas longas orações noturnas, Jesus vai, dia-a-dia, ao encontro da vontade do Pai, em meio aos acontecimentos que o desafiam. Nessa trama, esse é o seu alimento e sua bebida permanente; e isso o toma o mais livre dos homens diante da pressão condicionante dos legalismos e tradicionalismos paralisadores, que impedem à pessoa conhecer o caminho de sua realização e salvação.

O próprio Cristo centraliza sua atuação no mundo como alguém que "humilhou-se, fazendo-se obediente até a morte, e morte numa Cruz" (Flp 2,8) confessa: "desci do céu, não para fazer a minha vontade, mas a vontade daquele que me enviou" (Jo 6,38). É preciso questionar-nos um pouco mais, revisando nossa visão a respeito da obediência. Se a obediência é um tema imprescindível para um cristão, de que obediência se trata?

Todavia, a obediência é um termo que não se pode menosprezar, porque é um tema bíblico fundamental, tanto no Antigo como no Novo Testamento.

Autor: Tácito Coutinho - Tatá - Moderador do Conselho da Comunidade Javé Nissi

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