Reflexões / Matutações

Caridade e Fé

20/07/2016

A fé e a caridade, duas dimensões da vida cristã, isto é, do viver, ''permanecer e dar fruto na árvore da vida. Vertical uma, horizontal a outra, mas simultâneas e inseparáveis, constituindo uma só atitude. Somos filhos de Deus por nossa fé e a caridade fraterna emana desta filiação (1Jo 2,3), supondo que a fé é inseparável do seu fruto, que é a caridade. Não é fácil viver com equilíbrio e profundidade ambas as dimensões da vida cristã. Muitos cristãos de nossos dias buscam um amor fraterno mais autêntico e universal, em concretos compromissos sociais, na procura da justiça e da promoção humana, mas com uma empobrecida referência a Deus, inclusive sem fincar raízes na vida de Deus; com frequência, é pobre o valor que dão à "liturgia", à oração e a “espiritualidade”, entendida como “alienação”.

Outros vivem tratando de realimentar suas vivências religiosas, sem abrir a seus irmãos um pouco mais do que uma estreita margem de relações íntimas, e sem crescer em compromissos fraternos da fé; com frequência, esses cristãos ou consideram que a evangelização é tarefa dos quadros institucionais da Igreja, ou olham com desconfiança os cristãos comprometidos com a Igreja.

A partir da imagem da árvore da vida não tem sentido a dicotomia, muito menos a oposição entre "os que rezam" e "os que fazem", nem entre "os alienados" e "os promotores da justiça" ou ainda entre “evangelização” e “ações sócio-transformadoras”. É preciso superar, ao menos em princípio e em processo crescente, esses desencontros; isso acontecerá a medida que uns e outros consigam enxertar-se mais profundamente na mesma árvore da vida, ultrapassando a superficialidade de orações e ritos vazios de amor solidário e de horizontalismos pobres de fé. Quem não se encontra um pouco pobre na fé, ou no amor, ou em ambas as coisas? (meditando João 13,34-36)

A fé em Deus, sempre maior que tudo, ilumina toda a vida de um cristão. Como perceber nossa comunhão com Deus? Como saber que "somos da verdade", apesar de nossos pecados e limitações?  Como viver a alegre segurança de salvação de que precisa um cristão? Acima de tudo, dque pode tranqüilizar nosso coração diante de Deus é a convicção de que ele "é maior que o nosso coração e conhece todas as coisas". E isto simplesmente porque Deus é amor O cristão acaba pecando "porque Deus é major que nosso coração". O cristão que pecou confia na misericórdia; e nela seu coração encontra paz e alegria, porque "Deus é maior..."

O cristão que, apesar de seus esforços sinceros, cai reiteradamente nas mesmas faltas por mecanismos sociológicos dificeis de controlar não se angustia nem desespera, "porque Deus é maior..." Deus não só conhece nossa fraqueza, nossos pecados, junto com nossa boa vontade e nosso desejo de amar de verdade, mas também tem infinita consciência da ação preservadora e santificadora do seu Espírito em nós. Deus é maior que nosso coração isso significa que não estamos abandonados as nossas préprias forças, mas que o poder do amor de Deus nos enche, nos protege e nos alenta de dentro, enxertado em sua vida.

Mais do que a acusação ou a "reprovação" de nosso coração, ha de pesar em nossa vida a certeza de que Deus "conhece todas as coisas" e seu conhecimento é um amor tão extremo e incompreensível como a entrega de Cristo, "revelação do mistério do Pai e do seu amor" e, ao mesmo tempo, revelador do mistério do homem e da "sublimidade de sua vocação"... ao próprio homem O cristão que nas podas dolorosas da vida não se revolta, mas da majores frutos de fé e de amor, vive mais plenamente na arvore da vida, "porque Deus é major...", maior que todas as nossas buscas e aspirações humanas. 

Autor: Tácito Coutinho - Tatá - Moderador do Conselho da Comunidade Javé Nissi

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