Comunidade

NOSSA ESPIRITUALIDADE

A espiritualidade da Comunidade Javé Nissi é dada pelo seu texto fundante: Êxodo 17, 8-15

8.Amalec veio atacar Israel em Rafidim.

9.Moisés disse a Josué: “Escolhe-nos homens e vai combater Amalec. Amanhã estarei no alto da colina com a vara de Deus na mão”.

10.Josué obedeceu Moisés e foi combater Amalec, enquanto Moisés, Aarão e Hur subiam ao alto da colina.

11.E, quando Moisés tinha a mão levantada, Israel vencia, mas logo que a abaixava, Amalec triunfava.

12.Mas como se fatigassem os braços de Moisés, puseram-lhe uma pedra por baixo e ele assentou-se nela, enquanto Aarão e Hur lhe sustentavam as mãos de cada lado: suas mãos puderam assim conservar-se levantadas até o pôr do sol,

13.e Josué derrotou Amalec e seu povo a fio da espada.

14.O Senhor disse a Moisés: “Escreve isto para lembrar, e dize a Josué que eu apagarei a memória de Amalec de debaixo do céu”.

15.Moisés construiu um altar que chamou de  Javé Nissi [O Senhor é minha bandeira].

16.“Já que a mão – disse ele – foi levantada contra o trono do Senhor, o Senhor está em guerra perpétua contra Amalec.”

COMTEMPLATIVOS NA AÇÃO

Considerações sobre Êxodo 17, 8–18

Estamos diante de um texto muito conhecido e que para nós tem um significado importante: trata-se da identidade da Comunidade Javé Nissi.

O fato de luta contra Amalec nos leva a indagar:

  • O que Moisés faz? O que Josué faz? Moisés reza em comunidade e Josué luta em comunidade.
  • E se Moisés não rezasse ou se Josué não lutasse?

Estamos diante dos dois aspectos da vida cristã: a oração e a ação

O desafio a ser respondido

Vivemos num mundo em que é muito fácil fazer uma dicotomia entre a reflexão e a ação. Caímos, assim, num intelectualismo ou num ativismo que não conduzem a nada: uma reflexão alienada e desengajada ou uma ação irrefletida, sem fundamento e sem sentido crítico.

Essa dicotomia aparece também na Igreja: um refugiar-se somente no espiritualismo ou na ação pastoral quando, na realidade, ambos deveriam interpenetrar-se e completar-se.

Santo Inácio desejou que seus companheiros fossem fundamentalmente “contemplativos na ação”. É também esse o ideal da vida cristã e de quem deseja vivenciar a experiência da vida cristã. Superar a dicotomia e entrar no processo dialético da ação-reflexão é um desafio para todos aqueles que pretendem tomar consciência da realidade, engajando-se numa permanente renovação.

Uma é ponto de referência para a outra, ocasião de revisão, enriquecimento, questionamento, relativização e crescimento e vice-versa. Oração e apostolado se inter-relacionam e complementam. A ação pastoral brota da oração, é por ela questionada, nela reencontra seus critérios e revê sua opção. A ação, por sua vez, prova a oração, enriquece-a e questiona-a.

Nossa resposta

O “contemplativo na ação” é aquele que:

  • Permanece aberto à revelação do Senhor e ao contexto em que está inserido
  • Crê na presença transformante de Deus na história dos homens
  • Procura perceber (discernir) seus apelos hoje
  • Compreende que sua atitude fundamental de ser  “ouvinte da Palavra”, alguém que escuta atentamente. Sendo que escutar é acolher no coração e aplicar no concreto da vida, engajando-se em suas propostas.

Experiência de Deus

Para atingirmos tal ideal precisamos buscar uma experiência profunda de Deus, profunda e transformante.

O encontro pessoal com Deus, em Jesus Cristo, leva o homem a inserir-se positiva e plenamente na História da Salvação, que é a história do homem salvo e reconciliado em Jesus Cristo, Filho e Irmão. É buscar uma inserção cada vez maior e mais profunda nos grande horizontes da Revelação: o trinitário, o cristocêntrico e eclesial.