Reflexões / Matutações

Carnaval

09/02/2018

“Tudo começa depois do Carnaval”! E o Carnaval chegou! A principal festa popular no Brasil, sinônimo de “tudo liberado”, como alguém disse na TV, chegou! Uma música popular canta: “moro num país tropical, abençoado por Deus e bonito por natureza... em fevereiro tem carnaval” – Jorge BenJor. Três bênçãos: a natureza, a tropicalidade e o Carnaval!

Fico matutando que não há crise econômica ou social que impeça o reinado de Momo. Durante esse período tudo é lícito, válido, o que importa “é aproveitar”, dizem os meios de comunicação... Com isso os graves problemas sociais, políticos e econômicos são esquecidos. Somente “circo” já que pão começa faltar... Mas não quero ficar “demonizando” o Carnaval, pois, sendo uma festa popular, é válido. O problema é como vivemos esta festa e isso não é um problema só no Carnaval, é em qualquer festa, inclusive as “de paróquia”...

No Brasil, "país tropical, onde fevereiro tem carnaval", a mídia e os interesses econômicos transformaram a festa popular em espetáculo turístico, onde o erotismo, o apelo sexual e a licenciosidade são promovidos e comercializados. A igreja reconheceu o Carnaval como fenômeno social, sendo suscetível de interpretação cristã. Assim procurou subordinar o festejo aos princípios do Evangelho; era inevitável, porém, que os homens não observassem o limite entre o que o carnaval pode ter de cristão e o que tem de pagão.

Apesar da tentativa de cristianização do Carnaval, devido à sua origem pagã, a relação entre a Igreja e o Carnaval nunca foi amigável. Mas porque não foi possível eliminá-lo do calendário, houve uma tolerância por parte da Igreja, até incorporá-lo ao calendário cristão, no século XV, como o “tríduo” que precede a Quaresma, tempo de penitência, jejum e abstinência. Ainda hoje, alguns cristãos, e mesmo padres, promovem o “carnaval cristão” neste período, mas o efeito em termos pastorais é mínimo, já que não se trata da festa, mas da mentalidade.

Os excessos e abusos no carnaval são transgressões morais em qualquer época, são atentados ao valor humano em si em qualquer data e festa, mas favorecidos e potencializados pelo ambiente que se forma. O comportamento moral cristão obedece à consciência, marcada pela obediência e fidelidade da fé em Cristo. Tem suas raízes na liberdade que nos leva a aceitar o Evangelho como critério e valor.

São Paulo ensina que todo comportamento que não procede da fé (convicção) é pecado – Rm 14,23b; e nos convida a não nos conformar, no sentido de não viver conforme, com o mundo, mas renovar nossa maneira de pensar e julgar, para conhecermos a vontade de Deus que é o bem, agradável a Ele e perfeita! – Rm 12,2.

O desafio é, sem abdicar da alegria, que é própria do cristianismo não só no Carnaval, agir de acordo com a consciência, mesmo que isso “escandalize” os “normais”. É um desafio em tempos de “ousadia”: viver a alegria que a festa propõe, mas a partir da fé e da caridade cristã.

Autor: Tácito Coutinho - Tatá - Moderador do Conselho da Comunidade Javé Nissi

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