Reflexões / Matutações

O que importa é ser feliz?

08/02/2018

Escutei em algum lugar, alguém dizendo: “ o que importa é ser feliz”! Frase repetida em diversas situações e por públicos de diversas idades, cultura, religião... Estava matutando: se Deus nos chama para a felicidade, a única coisa a fazer é acolher e viver esse chamado! Fazendo assim, de pronto, seríamos felizes!

Mas a “realidade é outra”, como dizia minha avó. Vemos pessoas infelizes, sem rumo e perdidas, apostando a vida em coisas que não trazem realização e paz... Muitas vezes somos nós mesmos! Ora, se para ser feliz basta responder ao chamado de Deus, porque é tão difícil entregar nossa vida a Ele?

O problema é que vivemos numa época em que o ideal de felicidade que é o oposto do ideal de felicidade proposto pelo Evangelho de Jesus. A cultura secularizada fez com que o desejo autêntico de felicidade e vida plena fosse confundido “pelo prazer, pelo ter e pelo poder”, como, exaustivamente já foi dito e escrito em vários lugares, e que não vou ficar repetindo...

Isso não é algo novo, as concupiscências estão descritas nos Evangelhos, mas parece que na atualidade tomou proporções gigantescas. Alguns podem argumentar que é exagero, que a situação é menos contundente, mas não podemos negar que a felicidade que nos propõe Jesus é radicalmente diferente daquela que o mundo, no sentido da exclusiva secularidade, nos propõe.

Que felicidade é essa que Jesus propõe? Numa palavra: uma vida nova, a vida cristã. Esta vida pode ser resumida nas Bem Aventuranças, em Mateus 5. Esse é o programa de felicidade de Jesus que não está “ajustado” com aquilo que o “mundo” propõe. É absurdo, na lógica mundana, que a pobreza traga a felicidade! Ou a pureza, a mansidão, que suportar as perseguições nos fazem felizes... Realmente estas coisas não são exatamente o que vemos proposto nas propagandas que querem nos vender outra felicidade.

Por isso é tão difícil responder a nossa vocação. Porque optar por Jesus significa necessariamente morrer. Morrer para tudo aquilo que nos leva ao “menos”, que diminui nossa dignidade, que nos faz viver iludidos e perdidos. Mas temos medo de “arriscar” numa nova vida, preferimos o “todo mundo é assim” , afinal morrer não é uma opção agradável.

Assim ficamos muito tempo com um pé no Evangelho de Jesus e o outro nas propostas “do mundo”, vivendo a uma ambiguidade que nos faz ficar, o tempo todo, medindo: “Até onde posso ser mundano sem deixar de ser cristão”. Muitas vezes sabemos o que temos que fazer, mas simplesmente não conseguimos fazer ainda.

Até nos lançarmos confiantemente nos caminhos de Deus, com todo nosso coração, não conseguiremos responder nossa vocação à felicidade. A semente para dar frutos, antes deve morrer...

Autor: Tácito Coutinho - Tatá - Moderador do Conselho da Comunidade Javé Nissi

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