Reflexões / Matutações

Qual a motivação do nosso engajamento e vida na comunidade?

01/02/2018

“Dia desses” estava matutando que é perigoso ter como motivação do nosso engajamento e vida na comunidade, à satisfação de nossos projetos e desejos pessoais. Porque, deste modo, estamos condenados a limitar-nos às nossas obras, a preocupar-nos exclusivamente de nós mesmos. Isso leva a preferir e valorizar aquilo que é vantajoso ou dá prazer; como dizem: “só vale quando é divertido”, ou, “o que importa é ser feliz”. O resultado desta forma de agir é a relativização dos valores, a perda da radicalidade e, por fim, o “esfriamento” da fé e a desistência. O interessante que quando isso acontece, os “outros” é que são responsáveis, ou a foi “a comunidade que não evoluiu”...

“Meu Deus, é tudo o que desejo, tua lei está no fundo do meu coração” - Sl 40(39),9. Cristo viveu deste modo e assim agiram os profetas e os enviados de Deus, distantes, bem distantes da busca do próprio interesse. Essa é a natureza da ação espiritual, que não cansa e nem se omite e tampouco desiste diante das dificuldades.

Aderir à verdade - e a verdade é Deus -, dedicar-se ao amor e à vida eterna, até o dom de si e até entregar o próprio coração: este é o verdadeiro zelo pela “obra de Deus”, esta é a prática da religião, esta é a raiz de nosso engajamento.

Quem se limita à dimensão pessoal-afetiva e usa toda sua força para sua própria a realização, naquela dimensão que a modernidade chama de sucesso, encontra-se diante do vazio interior, porque a vida eterna escapa daquilo que nele há de mais profundo, ou então se torna insensível, como se a exigência da fé fosse um inimigo!

Quem, pelo contrário, se move na dimensão da vida no Espírito permanece com o coração em paz diante das dificuldades e oposições. O mundo inteiro, e todas as realidades que nele se encontram, se apequenam. Quem busca a Deus e sua vontade – Rm 12,2, não desanima e nem murmura contra a vida. Para quem se encontra verdadeiramente com Jesus, existe um propósito, existe um ideal a ser buscado, existe um sentido que justifica a própria vida, para além dos sofrimentos e renúncias necessárias.

Aquele que se apega ao próprio projeto fica longe de Deus e nasce em seu coração um sentido desproporcional da importância e da grandeza de si mesmo. Pelo contrário, aquele que radica sua vida no projeto de Deus possui um sentido de plenitude, pois sua tem consciência que o seu empenho é para a salvação das almas!

Autor: Tácito Coutinho - Tatá - Moderador do Conselho da Comunidade Javé Nissi

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