Reflexões / Matutações

A ética cristã

30/01/2018

Estava matutando que o contexto atual exige que a ética cristã justifique sua razão de ser. Ao negar a possibilidade de qualquer verdade objetiva, a pós-modernidade rejeita também a revelação bíblica como verdade, assim como podemos responder ao relativismo moral prevalecente em nossa cultura? Há pelo menos duas possibilidades de reafirmar a ética cristã num contexto pós-moderno.

 

Primeiro, demonstrar as incoerências próprias desse sistema de pensamento. Neste sentido, o argumento pós-moderno aparece frágil e incoerente: ao afirmar que não há verdades absolutas, o pós-moderno cria uma verdade absoluta. Ou como afirmou Santo Agostinho: “Quem quer que duvide da existência da verdade, possui em si mesmo, algo verdadeiro, de onde tira todo fundamento para a sua dúvida”.

 

Segundo, proclamar “sem culpas” a verdade de Deus verdadeiro em um mundo mergulhado na ilusão. “Uma sociedade sem absolutos caminha para o caos moral” - Herminsten Maia. O profeta Isaías denunciou o caos moral afirmando que os homens “chamam o mal de bem e ao bem, mal; que fazem da escuridão luz e da luz, escuridão; põem o amargo por doce e o doce, por amargo!” - Is 5,20. Da mesma forma a comunidade cristã é chamada para exercer sua vocação profética, denunciando o relativismo ético com a Palavra de Deus. Tal missão constitui-se num imperativo para todo cristão em toda e quaisquer circunstâncias.

 

Para a pós-modernidade, a moralidade é uma questão de desejo. A ética do desejo acaba sendo a da vontade (minha opção) de poder (meu desejo). Assim, algo se torna verdadeiro porque “eu escolhi que fosse verdadeiro para mim”. Essa tendência pós-moderna faz com que a religião seja vista como preferência. As pessoas creem naquilo de que gostam. Acreditar nos ensinos ou concordar com o que ela crê, não tem mais relevância.

 

A nota trágica desse comportamento é uma geração que desconhece completamente as implicações do seguimento da fé cristã. Assim o discurso e a pregação, não estão mais centrados em Jesus Cristo, na cruz e na conversão, mas sim na “autoajuda”, no “sentir-se bem”, na “cura”, visando conquistar adeptos, os “consumidores”.

 

A comunidade cristã, a Igreja, deve provar que as ideias teológicas têm valor para a vida concreta. Isso implica que a ética cristã tem uma dimensão teórica, mas também uma dimensão prática. De nada adianta sermos gigantes na teoria e pigmeus na prática. A ética cristã não pode e nem deve se banalizada. Quando vivemos nossa vocação à santidade, então autenticamos nosso discurso e reafirmamos o Evangelho.

 

Não podemos subestimar o efeito trágico do relativismo ético. Um ditado popular afirma: “quanto mais uma mentira parece com a verdade, tanto pior é o fruto que ela produz”. Resta-nos a firme esperança de que, apesar da hostilidade com que a visão cristã é rejeitada, a verdade prevalecerá.

Autor: Tácito Coutinho - Tatá - Moderador do Conselho da Comunidade Javé Nissi

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