Reflexões / Matutações

Embarcamos realmente na aventura da fé?

23/01/2018

Acordei matutando que um dia embarcamos – embarcamos realmente? – na aventura da fé, rumo a horizontes humanamente obscuros, cheios de riscos... Embarcamos formando uma família, integrando uma comunidade, encarando compromissos na sociedade... Não foi da noite para o dia que o fizemos. Pode ter sido a exigência de uma conversão à moda de Paulo; todavia, mais provavelmente foi algo marcado por decisões parciais, graduais, de compromisso crescente, em momentos que foram chaves em nossa vida.

Talvez não tenha sido totalmente assim e possamos perceber que ha opções fundamentais ainda pendentes. Passar "a outra margem" – Mc 4,35, isto é, a margem do Senhor, com seu enfoque, sua maneira de ver, supõe uma mudança total de perspectivas. Significa sair das seguranças que alguém constrói "nesta margem", superar os "critérios puramente humanos" e passar a viver da fé e de um amor que supere o mesquinho "para si mesmo" e comece a ser, de alguma maneira, "para aquele que morreu e ressuscitou por todos”.

A fé é um potencial dignificador do homem já nesta vida; a fé, a esperança, a caridade e a graça são realidades não somente credoras de uma vida no mais além, mas convocam também a realizar uma história humana mais digna. A resposta a esta convocação é aquilo que chamamos conversão.

A fé que salva para a vida eterna impele o crente a ser protagonista da história mediante uma caridade viva, realizando pela solidariedade e pelo amor de uma "história santa", de um reino "já inaugurado", que se expande a partir de nosso coração. A aventura da fé não se vive na calmaria da mediocridade ou omissão.

Pela fé enfrentamos a sede misteriosa das forças perversas e ameaçadoras. Cada um sabe de suas tormentas exteriores e interiores. Cada um sabe das ameaças reais ou supostas para a estabilidade de sua fé ou a autenticidade do seu amor. Cada um conhece as forças perversas que perturbam o cumprimento de seus compromissos, os anulam ou enfraquecem.

Crer é ligar-se a um Deus muitas vezes silencioso, aparentemente ausente, com o qual, porém, se vive em comunhão. Crer é viver com a convicção última de que o Senhor não nos abandona, apesar das tempestades momentâneas. Crer é lutar na provação mais extrema, com a certeza de que Jesus ressuscitou, saiu vitorioso da prova.

A fé é a experiência do silêncio de Deus, como Maria ao longo de toda a sua vida terrena com Jesus; a fé é também a experiência do poder de Deus.

Autor: Tácito Coutinho - Tatá - Moderador do Conselho da Comunidade Javé Nissi

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