Reflexões / Matutações

O que estamos fazendo por merecer isso?

08/01/2018

Na viagem, ouvia no rádio, “velho companheiro de estrada”, uma entrevista que tratava do “ano eleitoral”. O entrevistado um sociólogo da USP, cujo nome não lembro, discutia qual seria a melhor forma de governo e defendia que seria a monarquia!

Afirmava ele que a República de 15 de novembro de 1889 foi “um golpe” da elite escravagista, ameaçada pelas reformas liberais do Visconde de Ouro Preto e decepcionada com D. Pedro II. O “golpe republicano” foi o meio para assumirem o poder e nada mudar efetivamente. Uma república “aristocrática populista”, um contrassenso! Aliás, uma posição defendida em outros lugares da academia.

Para Winston Churchil, a “democracia é a pior forma de governo, com exceção de todas as outras”! Para Santo Tomás de Aquino, a melhor forma de governo seria a monarquia, temperada com a aristocracia e a democracia. Ou seja, uma só cabeça, que, “seguindo os conselhos dos melhores e ouvido o povo, governasse harmonicamente a sociedade”. O Papa Leão XIII solucionou essa discussão dizendo que “qualquer forma de governo, desde que correta e legítima, poderia se enquadrar dentro dos princípios cristãos e ser apoiada pelos católicos”.

Fiquei matutando... O mal são os abusos e as deteriorações. A corrupção da monarquia é a tirania, o absolutismo, o despotismo. A corrupção da democracia é a demagogia “das elites”, o populismo “dos salvadores da pátria”, o governo dos “grupos de interesse”, dos “clubes”, como chama o papa Francisco, das “máfias”, na linguagem popular.

A demagogia e o populismo são anárquicos: na ânsia de querer chegar ao poder, acaba por favorecer somente os “espertos”, os que não dispostos a cumprir a lei – a turma do “jeitinho” –, os interesses de grupos, enquanto que os cidadãos comuns ficam acuados e indefesos. O populismo e a demagogia, em seu discurso, agrada à massa, mas prejudica o povo.

Os “clubes fechados” e “grupos de interesse”, as máfias, são parasitas de governos populistas e demagógicos, que, para ganhar as eleições, tiveram que se apoiar neles. E, uma vez tomado o poder, estabelecem o “monopólio da verdade”, excluem e tiranizam quem não se alinhar ou não concordar. Rotulam a oposição e estabelecem a dialética do “nós e eles”... Algumas “repúblicas sul-americanas” evidenciam esta situação... Os frutos desse desgoverno são a insegurança, o medo, o triunfo da marginalidade, a corrupção das instituições, a anarquia, o caos social.

O ditado popular diz que “cada povo tem o governo que merece”. Não acredito neste ditado e pergunto o que estamos fazendo por merecer isso? Ou melhor, o que não estamos fazendo para merecer isso?

Autor: Tácito Coutinho - Tatá - Moderador do Conselho da Comunidade Javé Nissi

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