Reflexões / Matutações

Perdemos o senso do Natal!

13/12/2017

Escutava o rádio pela manhã e uma diretora da Associação Comercial da cidade informava sobre os preparativos para o Natal que estavam em andamento. Suas observações fizeram com que ficasse matutando: perdemos o senso do Natal!

 

Não vou ficar “desancando” o consumismo, ou a substituição do Menino Jesus por Papai Noel, um personagem sem sentido no verão brasileiro e na carestia que passamos. Tampouco vou ficar lastimando o Natal dos pobres sem ceia e sem presentes, ou “o roubo do Menino Jesus do presépio”, como já matutei... Mas é fato de que perdemos o “conteúdo do Natal”. E muito mais por nossa omissão do que resultado do avanço “comercial”.

 

Para os cristãos de ontem e de hoje, o Natal assinala Deus inserido na história dos homens, Emanuel, Deus conosco! Então fiquei recordando o que os padres da Igreja disseram sobre o Natal...

 

“A bondade divina sempre olhou de vários modos e de muitas maneiras pelo bem do gênero humano, e são muitos os dons da sua providência, que na sua clemência concedeu nos séculos passados. Porém, nos últimos tempos superou os limites da sua habitual generosidade, quando, em Cristo, a própria Misericórdia desceu aos pecadores, a própria Verdade veio aos extraviados, e aos mortos veio a Vida. O Verbo, coeterno e igual ao Pai, assumiu a humildade da nossa natureza humana para nos unir à sua divindade, e Deus nascido de Deus, também nasceu de homem fazendo-se homem” – S. Leão Magno.

 

O Deus dos cristãos não é um mito nem um livro, mas Palavra encarnada, uma presença interpelante na história dos homens. “Quando um tranquilo silêncio envolvia todas as coisas e a noite chegava ao meio do seu curso, a Tua Palavra todo-poderosa, vinda do céu, do seu trono real, precipitou-se sobre a terra” – Sab 18,14. E foi assim, em Belém, quando o choro de um recém-nascido quebrou o silêncio do universo. Deus que, ao longo dos séculos tinha falado de muitos modos e a muitos povos, em Belém fez-se Pessoa.

 

“No firmamento brilhou uma estrela maior do que todas as outras! A sua luz era indescritível. A sua novidade causou estranheza. Mas todos os demais astros, incluindo o Sol e a Lua, fizeram coro à Estrela. Esta, porém, ia arremessando a sua luz por sobre todos os demais. Houve, por isso, agitação. Donde lhes viria tão estranha novidade? Desde então, desfez-se toda a magia; suprimiram-se todas as algemas do mal. Dissipou-se toda a ignorância; o primitivo reino corrompeu-se, quando Deus se manifestou humanamente para a novidade de uma vida eterna” – S. Inácio de Antioquia.

 

“O Natal assinala o triunfo de Cristo e a libertação de todas as formas de opressão, engano, alienação ou superstição. Vemos no menino que se encontra na manjedoura aquele que rompeu o jugo que a todos oprimia. Como operou tal libertação? Fazendo-se Ele mesmo servo para nos chamar à liberdade” – S. Efrém.

 

Belém é, pois, para nós, uma lição eloquente. Com o seu nascimento no silêncio da noite de Belém, o Menino divino, “mesmo sem dizer nada, deu-nos uma lição, como se irrompesse num forte grito: que aprendamos a tornar-nos ricos nele que se fez pobre por nós; que busquemos nele a liberdade, tendo Ele mesmo assumido por nós a condição de servo; que entremos na posse do céu, tendo Ele por nós surgido da terra” – S. Agostinho.

 

Neste tempo de Advento, façamos de nosso coração uma “Belém” para acolher o Salvador!

Autor: Tácito Coutinho - Tatá - Moderador do Conselho da Comunidade Javé Nissi

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