Reflexões / Matutações

Um tempo de relativismo subliminar

11/12/2017

Foram alguns dias intensos... Acordei matutando que vivemos num tempo caracterizado, em grande parte, por um relativismo subliminar que penetra todos os cantos da vida. Às vezes torna-se agressivo, lançando-se contra pessoas que testemunham a verdade e o sentido da vida. Este relativismo exerce uma influência cada vez maior sobre as relações humanas e a sociedade. Isto se exprime na inconstância e descontinuidade de vida de muitas pessoas e num individualismo excessivo.

Há pessoas que não parecem capazes de renunciar a determinada coisa ou de fazer um sacrifício pelos outros. O altruísmo na busca do bem comum está em queda. A dedicação à causa dos mais necessitados tem sofrido baixas. Já outros não querem se unir de forma incondicional a uma esposa ou esposo. Quase já não se encontra a coragem de prometer ser fiel a vida toda...

Este quadro revela que no nosso mundo há carências, sobretudo carência da experiência do amor de Deus. Um grande número não encontra resposta para suas vidas nas igrejas, seja a Igreja Católica ou as advindas da Reforma. Muitos e muitos não têm a experiência do amor de Deus em nossos ambientes eclesiais e permanecem na angústia do cotidiano... Mas por quê? Esta é uma pergunta séria...

Matutando sobre esta questão deparei-me com um pronunciamento do Cardeal Fernando Filoni, prefeito da Congregação para a Evangelização dos Povos: “A Igreja está organizada, mas será que por detrás das estruturas existe também a correspondente força espiritual, a força da fé e da experiência do Deus vivo? Sinceramente, vejo que se verifica um excedente das estruturas em relação ao Espírito: a verdadeira crise da Igreja é uma crise de fé. Se não chegarmos a uma verdadeira renovação da experiência amorosa de Deus, qualquer estrutura será ineficaz”.

As pessoas, as quais faltam à experiência do amor de Deus, precisam de lugares onde esta experiência vital possa ser oferecida. Coisa que não acontece em nossas frias estruturas. Há um déficit de “espaço” onde as pessoas possam expor suas necessidades espirituais e existenciais e se sentirem acolhidas. É urgente procurar novos caminhos para a experiência da fé.

Acredito que um destes caminhos são os pequenos grupos, onde se aprofundam as amizades na oração comunitária a Deus. Nos pequenos grupos, as pessoas contam e partilham suas experiências de fé no cotidiano e na família, no convívio com os amigos. Testemunham a proximidade da fé na vida diária da Igreja. Nos pequenos grupos fica claro que todos necessitam deste alimento do amor, da amizade concreta de um pelo outro e pelo Senhor.

Penso que os pequenos grupos se inserem na realidade do “fermento na massa” ou oferecem a experiência “das casas” no início onde os cristãos se reuniam... Interessante a RCC começou com pequenos grupos nas casas... Casa da dona Santa, em Lorena, casa do prof. Felipe, do Pai Rocha, do seu Aureliano...

Autor: Tácito Coutinho - Tatá - Moderador do Conselho da Comunidade Javé Nissi

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