Reflexões / Matutações

Tempo de espera "daquele que devia vir"

07/12/2017

Estamos no Advento... Matutava que este é um tempo de primavera, expectativas, promessa... tempo de espera "daquele que devia vir": Jesus Cristo, o Filho de Deus; o Salvador. Aquele que se tornou “Deus conosco”, Emanuel!

 “Que novidade trouxe o Senhor em Sua vinda ao mundo?, perguntavam-se os primeiros cristãos. E respondiam: ‘Trouxe toda a novidade, trazendo-se a Si mesmo’” - Santo Irineu. Ele mesmo é a grande novidade do mundo. O Natal é um batismo de “regeneração e renovação pelo Espírito Santo” - Tt 3,5. Começa um tempo novo para o mundo; também o tempo se renova e começa a ser contado a partir dessa data; não mais a partir da fundação de Roma, mas a partir do nascimento de Cristo.

 Assim “não há mais lugar para a tristeza, pois no dia em que nasce a vida, uma vida que destrói o medo da morte e carrega a alegria das promessas eternas. Ninguém está excluído desta felicidade: a causa da alegria é comum a todos. Exulte o santo, porque se avizinha o prêmio; alegre-se o pecador, porque se lhe oferece o perdão; recobre coragem o pagão, porque é chamado à vida”. – S. Leão Magno.

 Podemos acolher o Natal como os pastores: eles ouviram o anúncio e respondem com a decisão: “Vamos até Belém e vejamos o que se realizou e o que o Senhor nos manifestou” – Lc 2,15. A decisão interior se traduz de imediato em gestos concretos de vida, e estes levam à descoberta: “Acharam (...) o menino.” Acharam-no com os olhos do coração, mais que com os olhos do corpo. Acreditaram e testemunharam: “Vendo-o, contaram o que se lhes havia dito a respeito deste menino”.

 Neste itinerário de fé há um ponto que devemos assumir como nosso: a decisão de ir a Belém: “Vamos até Belém”, disseram-se uns aos outros os pastores. E também nós, neste Advento, digamo-nos uns aos outros: “Vamos - ou melhor, retornemos - a Belém”!

 Este “ir à Belém” importa um caminho penitencial. Um caminho de purificação e arrependimento. Não podemos nos apresentar no Presépio cheios de rancor e amargura, de desunião e inimizades, de inveja e maledicência. No caminhar deste Advento façamos também um caminho de reconciliação e de paz.

 “Voltaram os pastores, glorificando e louvando a Deus por tudo o que tinham ouvido e visto.” Nós somos agora chamados a fazer o mesmo: a glorificar a Deus pela Palavra, pelo pão que se reparte, pela alegria que se multiplica em nosso coração. Somos chamados a proclamar aquilo que vemos no Presépio e o que aprendemos com o Menino.

Autor: Tácito Coutinho - Tatá - Moderador do Conselho da Comunidade Javé Nissi

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