Reflexões / Matutações

Cada pequena dificuldade pede um pouco mais

30/11/2017

Num “santinho” que estava entre as páginas de um “velho livro” que consultava, encontrei uma frase. O “santo” não dava para ver o nome e sua figura não me era conhecida, mas parte da frase dava para ler com clareza: “cada pequena dificuldade pede ‘um pouco mais’: um pouco mais de”... O resto estava apagado.

 Fiquei matutando e completando: um pouco mais de paciência, um pouco mais de generosidade, um pouco mais de abnegação e esquecimento próprio, um pouco mais de humildade... Cada dificuldade é um apelo para se crescer em algum aspecto de uma virtude. O risco ou a tentação, como preferir, é o coração acomodado que não é capaz de dar esse algo mais.

 Cada dificuldade, grande ou pequena, indica, por assim dizer, o tipo de crescimento espiritual que Deus espera de nós. Quando nos esforçamos por superá-la – o “um pouco mais” – estamos dando um passo à frente e crescemos em maturidade, nos tornamos melhores, mais fortes e mais dispostos. Aquele “um pouco mais” nos deixa à altura daquilo que a dificuldade exige.

 O cristão normal é aquele que consegue dar, ajudado por Deus, a resposta certa, com um novo ato de virtude, a cada nova situação que aparece: resposta de fé, ou de amor, ou de fortaleza, ou de sacrifício. Se, em vez disso, permanece na rotina dos seus hábitos, recusando-se a dar mais de si quando as circunstâncias lhe pedem maior virtude, ou seja, se permanece na mediocridade, ficará sem forças e incapaz de dar uma resposta à altura do que é preciso e acabará sucumbindo. Esse quadro explica muitas desistências e abandonos...

 Penso que o valor das dificuldades depende da atitude que adotamos diante delas. Aceitá-las como um incentivo e um desafio. “Crescer perante os obstáculos” – São J. Escrivá. Isto resume a atitude cristã diante das dificuldades. É preciso não só contar com os percalços, mas aceitá-los uma vez que elas nos ajudam crescer até o “estado de adultos, à estatura do Cristo em sua plenitude” – Ef 4,13.

 As dificuldades podem ser um estímulo diário, um motivo de criatividade e de maior busca. Quem quer a santidade não espera pelas dificuldades, adianta-se, vai ao encontro delas. A busca de Deus e de sua vontade nos propõem metas altas: “buscai as coisas do alto, onde Cristo está entronizado à direita de Deus” – Cl 3,1. Lembro-me do padre Leo...

 Recusar como verdadeira morte a mediocridade de uma “bondade morna”. O homem que se propõe a meta alta de viver o amor a sério vai alimentando no seu coração o desejo de se entregar cada dia mais a Deus a serviço dos homens. Tudo o que faz lhe parece pouco. No fundo da alma, soa como uma música empolgante a palavra “mais”.

 O homem que busca a santidade não desiste diante dos obstáculos, pois não estaciona na bondade fácil, mas está em aberto e deseja a bondade difícil. Aquela que pede “um pouco mais”...

Autor: Tácito Coutinho - Tatá - Moderador do Conselho da Comunidade Javé Nissi

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