Reflexões / Matutações

A fé é a força transformadora da minha vida?

27/11/2017

“A fé é verdadeiramente a força transformadora da nossa vida, na minha vida? Ou então é apenas um dos elementos que fazem parte da existência, sem ser aquele determinante, que a abrange totalmente?”. Esta perguntade Bento XVI, que li na transcrição de uma audiência, fez-me ficar matutando...

 Observando o presente, temos a impressão que o ser humano busca se construir com as próprias mãos à luz da desmedida consciência de si próprio, renunciando pensar no fundamento das coisas. Parece que se tornou impossível, se não até inútil, pensar num futuro comprometido pelo presente, parece que o “aqui e agora” é o valor definitivo. Parece que perdeu a noção da eternidade...

 A fé nos leva a consciência que para permanecermos humanos não podemos perder o sentido da fraternidade e das relações da caridade. Sem o senso da fé caímos na angústia e no niilismo, condenados a uma vida sem esperança. A fé cristã faz propostas concretas de um novo enraizamento para a humanidade. Isso não é retornar ao obscurantismo e tampouco cercear a liberdade da humanidade.

 O secularismo possui o objetivo ambicioso de abater as verdades cristãs, racionalizando o fundamento da vida negando-lhe o sentido de eternidade. Tecnologia, mercado e liberalismo – bases da cultura pós-moderna – estabelecem uma rede envolvente que convence os indivíduos a transformar em escolha pessoal aquilo que é proposto e imposto pelo sistema. A eficiência desta mentalidade está na transfiguração do desejo em necessidade com a promessa de que o consumo trará a felicidade “aqui e agora”. Isso tem como efeito uma civilização que tenta viver sem um futuro.

 Assim nascem os graves problemas da construção da identidade humana, que deveria ser uma escolha livre para “sermos aquilo a que somos chamados”. O racionalismo esquece que a realização humana é fruto das relações, mais do fruto da escolha pelo imediato.

 A fé responde a vocação humana, ao afirmar que a partir da restauração da relação fundamental, a relação amorosa com Deus, revelado em Jesus Cristo, as demais relações se reorientam para o bem e para a felicidade - Mc 2,5. Os cristãos devem protagonizar a história com amor; um amor que antes de tudo, assume a forma do serviço à esperança, ao presente comprometido como o amanhã.

 O cristão atual encontra-se diante de uma exigência: elaborar sua existência e, consequentemente, a construção do mundo, a partir da fé recebida! A verdadeira santidade, “capaz de reformar o mundo”, nasceu quando os discípulos de Cristo, pela fé, amaram o mundo com fidelidade radical. Só assim teremos “autoridade” para o anúncio cristão de um mundo novo, que não é um rompimento que este atual, mas construído a partir dele. Não só pelo senso do dever nascido do batismo, mas, sobretudo, pela convicção gerada pelo amor.

Autor: Tácito Coutinho - Tatá - Moderador do Conselho da Comunidade Javé Nissi

Deixe seu comentário

Últimas


O conteúdo do Natal nos Padres da Igreja - 14/12/2017

Perdemos o senso do Natal! - 13/12/2017

Dia de Nossa Senhora de Guadalupe - 12/12/2017