Reflexões / Matutações

Por que não “trato de coisas relevantes”...

24/11/2017

Desculpem, mas, dia desses, recebi um e-mail me perguntando por que não “trato de coisas relevantes” nas “matutações”. Sugeria um “monte” de “problemas relevantes” que “eu desconhecia” ou não “considerava”. Temas que variavam da “alta teologia atualizada” até a violência urbana, a ideologia de gênero, passando pela crise ética do estado e a corrupção.

 Confesso que a conjuntura atual me preocupa e, como todo cidadão, fico estarrecido com a desfaçatez com que é tratado o povo brasileiro, desconsiderado e vilipendiado por diversos algozes. Assusta-me o relativismo que toma conta das reflexões, mesmo religiosas. Sinto-me excluído por essa mentalidade que nega o direito de ser “normal” e valoriza somente o... “exótico”. Fico aterrorizado com o avanço do marxismo cultural que polariza a sociedade em “nós e eles”, propondo subliminarmente o “conflito de classes” e destruindo, sorrateiramente, os valores morais.

 Sou consciente dos conflitos existentes dentro da Igreja e das comunidades: os “tridentinos” e os “modernos atualizados” que já estão no “Concílio Vaticano III ou X”; conflito entre os “ortodoxos” e os “ecumênicos” e ainda aqueles que seguem “Jesus de Nazaré, um camponês palestino, que seus discípulos entenderam como Deus”. Os da “libertação”, que reduziram o Evangelho a um discurso ideológico e os “carismáticos” alienados do mundo por uma visão utópica do Reino que se edifica aqui na terra. Clero e leigos numa relação conflituosa de poder e servidão pouco produtiva para a causa do Evangelho.

 Assisto, preocupado, as discussões a respeito da liberdade, como fruto do conhecimento da verdade onde a verdade é entendida como “consenso” ou “algo subjetivo”, que dispensa “normas” e valoriza o “ama e fazes o que queres”, sem a referência do amor “doação e renúncia até a morte”. Padeço com a juventude sem rumo e sem sentido, manipulada pelos “caldeirões” da moda e envolvida na “malhação” dos costumes permissivos.

 Sofro com o avanço da pobreza e da miséria cultural do povo brasileiro; sofro com a falta de perspectiva de vida e bem estar dos abandonados em nossas ruas, rostos sem identidade, descartados pela sociedade de consumo. Sofro a falta de um “Samaritano”; sofro a falta de profecia...

 Matuto o que matuto tendo este quadro à minha frente, sem alienação. Enfrento a vida e não fujo ao compromisso, observo a vida a partir da fé. Tenho esperança, tenho fé na esperança, como diz Moltmann. Creio na bondade humana, por ser o homem imagem e semelhança de Deus; creio que o “mundo tem jeito” porque o secular foi tornado sagrado pela encarnação do Verbo, que morreu e ressuscitou para nossa salvação; acredito que a história não é uma sucessão de fatos aleatórios e contingentes, mas que construímos a história com nossos valores, escolhas e liberdade; creio no poder da semente que o Evangelho traz; creio que o Espírito é penhor de vida nova; sou otimista, mas não ingênuo. Creio no Homem porque creio em Deus.

 Desculpem...

Autor: Tácito Coutinho - Tatá - Moderador do Conselho da Comunidade Javé Nissi

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