Reflexões / Matutações

O amor de Deus e do próximo são inseparáveis

14/11/2017

Matutava, dias atrás, que “o amor de Deus e do próximo são inseparáveis, constituindo tão intimamente um único mandamento, que o primeiro não é autêntico sem o segundo nem o segundo pode existir sem o primeiro” - 1Jo 4,20.

 Fiquei matutando esta questão. Quem especulou sobre esse mistério fundamental da vida cristã foi s. João: “Amados, amemo-nos uns aos outros, pois o amor vem de Deus. Todo aquele que ama nasceu de Deus e conhece Deus. Aquele que não ama não conheceu a Deus, porque Deus á Amor [...] Nisto consiste o amor: não fomos nós que amamos a Deus, mas foi ele que nos amou [...] se Deus assim nos amou, devemos nós também amar-nos uns aos outros. Deus permanece em nós e seu amor em nós é realizado [...] E nós temos reconhecido o amor de Deus por nós, e nele cremos. Deus é Amor: aquele que permanece no amor, permanece em Deus e Deus permanece nele” - 1Jo 4,7.

 Amar e conhecer Deus são inseparáveis. Pelo amor Deus está em nós e nós em Deus. Este amor de Deus, que é o próprio Deus, “foi derramado em nossos corações pelo Espírito Santo que nos foi dado”! – Rm 5,5. Nesse mesmo amor amamos Deus, a nós mesmos e ao próximo. Não há como amar o próximo se não “estamos” no Amor que é Deus!

 O termo grego “ágape” traduzido por amor exprime, em relação à nossa experiência de amor, algo de mais profundo, que “engloba o que há de erótico no nosso amor e o que há de amizade na caridade” – Bento XVI. Deus é Amor, amor forte e irresistível como o desejo, amor generoso e alegre como a amizade. No seu amor e somente no seu amor O conhecemos, de tal sorte que o nosso amor por Deus é fonte de conhecimento, caminho e sustento para toda a nossa vida.

 “Ágape” quer dizer ainda “amor fontal”, que mal conhecemos por experiência, mas de que podemos tentar falar da mesma maneira que falamos de Deus. Sabemos, por experiência, que o amor humano é sempre um amor de carência. Amamos porque sentimos falta de carinho, de apoio e de reconhecimento. O amor carente se reveste de passividade, depende do amado, busca receber amor e com facilidade se converte em possessividade. Mas é preciso compreender que só nos realizamos através do amor, na relação com outro, não em nós mesmos, como Deus.

 O amor humano é sempre carente porque está no âmbito da nossa busca de felicidade. Recebemos sempre do amor, antes de amar ou dar amor. Nosso amor difere, portanto do amor divino, que não é carente. Deus não se realiza pelo amor, mas é a fonte de todo amor, sendo o único “Bom” - Mc 10,18. Deus é, pois, Amor num sentido absoluto, porque é a Bondade, está na fonte de toda bondade e de todo amor. É Amor no sentido forte e espiritual do termo.

 Mais ainda, é Amor num sentido pleno, manifestado por Jesus e confirmado pelo envio do Espírito Santo. “É Amor, enquanto Trindade, comunhão originária e primeira do Pai com o Filho no Espírito Santo: Ardoroso desejo de convívio plenamente realizado, amizade luminosa e ardente entre as Pessoas divinas” – Bento XVI.

Autor: Tácito Coutinho - Tatá - Moderador do Conselho da Comunidade Javé Nissi

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