Reflexões / Matutações

A Esperança

06/11/2017

A exposição sobre a Esperança, feita pelo padre Adriano São João, na reunião do Conselho Arquidiocesano de Pastoral, provocou algumas “rematutações”. Existe uma tensão entre a realidade que vemos e o que o coração deseja, mas “graças à esperança, nós podemos enfrentar o nosso presente e projetar o nosso futuro”.

 O Reino do Cristo ressuscitado não só deve ser esperado e aguardado, mas também vivenciado no hoje de nossa história. Essa esperança e expectativa devem modelar a vida da sociedade. Por isso evangelizar significa não somente propagação da fé e da esperança, mas também a transformação histórica da vida. “Não se conformar com este mundo”- Rm 12,1 não significa somente transformar-se a si mesmo, mas através da perseverança e da ação criativa transformar o mundo em meio ao qual se vive, se espera e se ama.

 A esperança cristã suscita na vida da sociedade humana a "questão do sentido", porque gera um “estado de inconformidade” que busca a mudança. A esperança está orientada para as relações verdadeiramente justas do Reino de Deus que vem. Por isso, ela busca retirar-nos das tendências á acomodação e lançar-nos ao futuro que ela espera. A esperança cristã questiona o que é existente interrogando se está á serviço do que há de vir. Supera o atual e o presente pela orientação para o novo esperado.

 O horizonte de esperança, no qual deve ser desenvolvida a doutrina cristã do comportamento, é o horizonte escatológico da esperança do reino de Deus, de sua justiça e de sua paz, da nova criação e de sua liberdade e sua humanidade para todos os seres humanos. Somente esse horizonte de esperanças deve modelar e transformar o presente, em meio ás dificuldades e ao sofrimento, na realidade inacabada. A esperança coloca-nos em conflito com a forma atual da sociedade e nos faz aceitar a "cruz do presente".

 Na experiência entre a promessa e a realidade do sofrimento e da morte, a fé se apoia na esperança e "se lança para fora deste mundo". Isso não quer dizer que a fé cristã foge deste mundo, mas que busca o futuro. A fé não nos aliena: a morte é morte verdadeira e a dor é a dor; o pecado permanece pecado e o sofrimento continua sendo, muitas vezes, um clamor sem resposta imediata. Crer significa, na realidade, transpor estas fronteiras, estar em êxodo. Ninguém pode esperar qualquer coisa de Deus, se antes não crer em suas promessas; mas, ao mesmo tempo, nossa fé, para não desfalecer pelo cansaço, deve ser sustentada e conservada pela esperança.

 

Autor: Tácito Coutinho - Tatá - Moderador do Conselho da Comunidade Javé Nissi

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