Reflexões / Matutações

O Espírito Santo é dado para a nossa conversão

02/11/2017

O Espírito Santo é dado para nos assemelhar a Cristo, mas, de certa forma, exige a cooperação livre de cada uma para que isto aconteça, dentro de um dinamismo de crescimento na fé. Esta é questão da liberdade e da graça... Estes pensamentos, que surgiram quanto lia um texto do Frei Raniero, me levaram a matutar...

 O Espírito Santo nos é dado para conformar-nos a Cristo e para viver em comunhão com Ele. Aliás, o Espírito Santo “é a própria comunhão com Cristo”, ensina Santo Irineu. Esta ação do Espírito Santo se realiza de modo especial nos sacramentos, que de modo próprio nos conferem a graça de Cristo.

 Mas o Espírito Santo não age contra a vontade humana e esse é um ponto fundamental: a obra de nossa “cristificação” – o nosso assemelhar-se a Cristo, que equivale dizer, nossa santificação – acontece respeitando e exigindo nossa liberdade. “Quem te criou sem ti, não te salva sem ti”, afirmava Santo Agostinho. Ou seja, (infelizmente eu digo) o Espírito Santo não faz coisa alguma em nós se não permitirmos que Ele faça.

 Diante desta realidade, incômoda e preocupante, qual será nossa parte, ou o que devemos fazer? A resposta que vem de imediato é a “docilidade ao Espírito”: favorecer sua ação; retirar os obstáculos que impedem à graça; falar “sim” ao Espírito com toda sinceridade do coração... Mas em tudo isso é preciso ter em mente que o resultado sempre será fruto da graça do Espírito Santo.

 Podemos concretizar este “sim” ao Espírito Santo através da obediência à Igreja, primeiramente, pois o “Espírito dirige a Igreja e a preserva das forças do mal”. Depois o Espírito Fala de modo especial em nossas consciências, aquele “lugar interior”, onde uma “voz” nos leva a perceber qual atitude tomar, qual o valor a defender, qual erro rejeitar... E isto não é uma abstração, todos nós já tivemos esta experiência. Ser dócil ao Espírito Santo significa aderir a esta inspiração interior que indica o caminho a seguir.

 Diante disso, é preciso considerar o apelo insistente à conversão! “Convertei-vos”, clama o Evangelho. Não é suficiente ter sido batizado e sacramentalmente ter recebido o Espírito Santo, mas é preciso não perder este estado de graça! Por nossa natureza humana, somos atraídos para uma vida “natural”, fundada na “realização econômica e social”, com valores puramente e exclusivamente seculares, onde uma ética de resultados justifica as ações. Daí a conversão se caracteriza como “nadar contra a corrente”.

 A conversão é uma verdadeira graça do Espírito Santo, é reconhecer o próprio pecado, detestá-lo e desejar ser libertado dele. E este desejo gera um processo de conversão que continuará durante toda a vida, trata-se de buscar viver no amor de Deus, uma atitude permanente, já que nós não cessaremos de converter-nos enquanto vivermos; todo o nosso itinerário é conversão. Converter-se é descentrar-se de si mesmo para voltar-se a Deus. Trata-se de viver conforme o Espírito Santo e não conforme o mundo...

 “O Espírito Santo é dado para a nossa conversão”, concluiu assim, Frei Raniero, o texto que lia...

Autor: Tácito Coutinho - Tatá - Moderador do Conselho da Comunidade Javé Nissi

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