Reflexões / Matutações

A virtude da paciência

06/10/2017

Encontrei uma anotação que me fez ficar matutando. Não sei quem é o autor e tampouco quando fiz esta anotação: “’É preciso que persevereis para cumprir a vontade de Deus e alcançar o que ele prometeu’ - Hb 10,36. A paciência é a virtude pela qual o bem espiritual do homem fica defendido contra a tristeza, de maneira que não seja vencido e abatido por esta”.

 Quando se considera a multidão dos males que circundam a nossa vida, por todos os lados e em todo momento, depois que o pecado introduziu no mundo a morte, junto com tudo o que a ela está ligado, percebemos a necessidade da paciência. As paixões desordenadas, que, com força e fúria, se opõem ao nosso bem, a multidão e fúria de inimigos, visíveis e invisíveis, que querem nos prejudicar com tentações e perseguições, fazem da paciência uma necessidade urgente.

 “Ninguém está isento do sofrimento, nem mesmo os justos” – S. Gaspar Bertoni. Aliás, parece que o ditado mineiro, “quanto mais se reza mais assombração aparece”, é verdade! Parece que os que mais se aproximam de Deus são os mais tentados e bem do “cálice mais amargo”! Maria, Mãe de Deus, tornou-se a rainha dos mártires, a mãe das dores. Por este caminho de sofrimento passou também o próprio Filho de Deus. “Não era necessário que o Cristo sofresse tudo isso para entrar em sua glória?” - Lc 24,26.

 Santa Teresa de Jesus, na sua conhecida oração, afirma que “a paciência tudo alcança”. Em que sentido pode-se tomar esta afirmação? Sendo a paciência a capacidade de sofrer ou suportar as dificuldades que se apresentam, ela não deixa de ser também uma manifestação de fé na providência de Deus, que opera sempre em favor daqueles que O amam – Rm 8,26.

 A impaciência nos leva a desistência, que é o primeiro passo para o fracasso da vida cristã. A falta de empenho na prática das virtudes, o sentimento de “não vale a pena tanto esforço e sacrifício”, a valorização das coisas mundanas e temporais, de maneira excessiva, a desvalorização das coisas espirituais, a secularização, são sentimentos advindos da desistência.

 O exercício da paciência traz consigo a alegria da paz, pois a paz é justamente o fruto da paciência, não só no céu, mas ainda aqui na terra. São Paulo inclui a paciência entre os frutos do Espírito Santo! - Gl 5,22.

Autor: Tácito Coutinho - Tatá - Moderador do Conselho da Comunidade Javé Nissi

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