Reflexões / Matutações

“Valente guerreiro” é o que Gedeão sempre foi

05/10/2017

Estava matutando e como alguns dias atrás estava pregando sobre liderança e suas tarefas em Gedeão, naturalmente meus pensamentos foram para lá...

 Gedeão era um camponês, filho de Joás da família de Abiezer – Jz 6. Aparentemente, um fraco. Dá sinais claros de egoísmo e alienação: não procurava um jeito de acabar com a exploração e violência que os madianitas impunham aos judeus, queria resolver o seu problema. Estava escondendo o trigo. Nos padrões humanos, era alguém menos qualificado para a liderança. E Deus dirige-se a ele chamando-o de “valente guerreiro”! - v.12.

 Deus vê aquilo que realmente nós somos. Aquele que vê o coração vê também o nosso potencial escondido. Suas escolhas não se baseiam nas aparências e nem em preconceitos. E justamente por conhecer, Ele tem a capacidade de escolher certo.

 Na verdade, “valente guerreiro” é o que Gedeão sempre foi, mas ele sofria de baixa estima e não acreditava em seu potencial Mas aquilo que ele achava que era (um nada), Deus o fez ver que era pura ilusão. Esse processo ocorre conosco quando Deus nos chama. Não entendemos isso porque escutamos mais as opiniões dos homens e do Diabo sobre nós. E eles não têm nenhum constrangimento de nos depreciar. Reforçado pela mania de depreciar a nós mesmos.

 A vocação de Gedeão é a forma de Deus curar aquele homem e reafirmar a sua condição de pessoa capaz (porque Deus o fez capaz). Coisa que pode passar despercebida e que está contida na nossa própria experiência de Deus: sentir-se amado significa sentir-se capaz.

 Mas é preciso admitir que, mesmo considerando o potencial escondido, a obra para a qual Deus nos chama é maior do que nós: Deus nos chama para fazer algo que está acima de nossas possibilidades. E quando O questionamos sobre como o faremos, as respostas são sempre muito simples: “aquele que tem o poder de realizar, por sua força agindo em nós, infinitamente mais que tudo que possamos pedir ou sonhar”... – Ef 3,20. E essa força é o Espírito Santo. Não obstante os recursos que possamos ter, o único poder realmente capaz de fazer a diferença é o Espírito Santo.

 Isso pode parecer óbvio ou até redundante, mas para nós, é determinante que recordemos sempre disso porque somos chamados a fazer coisas maiores do que nós; fazer o impossível. Aquilo que é possível outros fazem, e sem a graça; mas aquele que recebe o batismo no Espírito, que recebe “o poder do Espírito Santo”, não recebe para fazer só possível. Seria medíocre...

 O mundo de hoje não aceita mais os discursos de nossa fé, os preceitos de nossa moral. Eles dão risada de nossas convicções. Não é com discursos humanos que vamos convencer o mundo. O fato de termos a força do Espírito nos capacita para fazer a diferença. Pentecostes fez a diferença na vida daquelas pessoas que estavam no cenáculo.

 Hoje, mais do que ontem, é necessário abrir-se ao Espírito para saber d’Ele o que Ele quer para a Igreja. Porque aqueles que não se abrem ficarão esclerosados em seu jeito de ser, em suas estruturas e em seus métodos de evangelização.

Autor: Tácito Coutinho - Tatá - Moderador do Conselho da Comunidade Javé Nissi

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