Reflexões / Matutações

O Sentido da Vida

29/09/2017

Estava matutando...

 A questão do sentido da existência, da vida, é inerente ao homem, sendo um tema constante na reflexão. Na história do cristianismo, nunca foi tão difícil de dar uma resposta satisfatória como hoje. O homem pós-moderno deixou de aceitar Deus como garantia óbvia do sentido o da vida “declarando-o morto”- Nietzsche (+1900). A partir daí o homem não só procura motivar o sentido da existência, mas procura até inventá-lo.

 Para conseguir este objetivo, procurou instrumentos, isto é, ideologias do progresso e da felicidade, que produziram um pensamento e cultura profundamente materialista, e não trouxeram a resposta que se procurava. Os movimentos sociais de meados do século XX dirigiam-se contra as carências essenciais das ideologias revelando a insuficiência das propostas humanas para o sentido da vida. A fé no progresso e no “estado do bem estar social” desembocou na angústia e perdeu-se a motivação para a vida, gerando o niilismo da cultura dita pós-moderna. A liberdade tão desejada foi ultrajada e se tornou utopia.

 O homem está novamente diante da questão do sentido da vida e é obrigado a dar uma resposta que preencha o vazio e angústia causados pela cultura materialista. “As neuroses modernas, são, em muitos casos, fruto de uma frustração existencial, isto é, do fato de que a aspiração humana a uma existência quanto possível dotada de sentido ficou insatisfeita”- Viktor Frankl.

 O crescente número de suicídios, sobretudo entre os jovens, a fuga para as práticas que permitem esquecer, alienar-se – do álcool e as drogas redução dos nascimentos até as técnicas de meditação esotéricas e autoajuda – são prova disso.

 Uma das tarefas eclesiais mais urgentes consiste em mostrar o sentido da vida, e para isso todos os fiéis devem cooperar segundo suas possibilidades. Devemos apresentar Deus não só como a fonte do ser, mas também como a fonte do sentido. É na fé que o homem percebe Deus como sentido último. Mas esse anúncio não pode ser apenas fundado em argumentos lógicos e racionais, antes deve ser uma “experiência do amor de Deus”, pois a experiência nos comunica um conhecimento indelével.

 Na fé e através da fé já se experimenta o sentido como dom e a vida está salva dentro do sentido que lhe é conferido. Quem crê certamente não está isento de dificuldades e questionamentos, mas sabe que vai em direção de um Deus que é Pai cheio de amor, e assim supera a angústia e a alienação: torna-se capaz de um verdadeiro progresso e liberdade.

Autor: Tácito Coutinho - Tatá - Moderador do Conselho da Comunidade Javé Nissi

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