Reflexões / Matutações

"O Evangelho é a luz"

20/09/2017

O Evangelho era o de Lucas 12,1-12 e na homilia o padre fez uma afirmação: “o Evangelho é a luz”! Sai da missa e durante um bom tempo fiquei matutando naquela exclamação...

 A vida cristã aparece no testemunho dado ao mundo, entendido como sociedade humana; na realidade o mundo conhecerá o Evangelho, sobretudo, pela maneira como os crentes vivem no desenrolar da história. O testemunho cristão, em tempo de perseguição é de esperança e nos momentos de dor e sofrimento é que melhor se percebem a têmpera e a verdade de uma vida! Sem alienação e omissão; sem resignação depressiva e conformismo...

 O cristão contrasta o fariseu, cujo fermento é a hipocrisia: uma vida fingida e sem uma verdade interior sólida – Lc 12,1. A vida cristã deve ser manifesta, e declarar abertamente tudo sem fingimento. Deve manifestar a verdade abertamente e em todas as ocasiões e a integridade é o ponto de partida. É nisto que consiste a "perfeição": em cada ato a pessoa se compromete totalmente, e com toda a verdade que vem do interior. Ser perfeito é ser integro como o Pai - Mt 5,48; é preciso evitar todo fingimento...

 Não ter medo de mostrar a verdade indica a autenticidade e o vigor de uma vida. Pois, o verdadeiro sentido da vida não está no poder daqueles que são capazes de matar o corpo. Não é o medo deste poder que traz a verdade para uma vida. O sentido da existência está no relacionamento com Deus, ao qual se deve temor filial. Ele é o Senhor da vida e da morte. O valor da vida humana está na dependência radical diante do poder de Deus e não dos homens. É daí que nasce a hierarquia dos valores!

 A modernidade pergunta: “será que a vida da fé não pode ser substituída por uma vida honesta, responsável sob o aspecto moral, vivida ao serviço do mundo e do próximo”? Esta mentalidade é fruto de uma ilusão: “Esquecem que a vida honesta não substitui a vida na graça, que significa consciência e relacionamento com um Deus, que ‘me amou e se entregou por mim’” – Urs Von Balthasar.

 O que manifesta a verdade e o valor de uma vida é a coragem de dar o testemunho público da fé. O testemunho de fé, ou a sua recusa, é que decidem sobre o sentido da vida ou para sua plena realização ou para a sua completa destruição. O sentido da vida se manifesta no ato do testemunho, pois a vida do discípulo é a vida de seu Mestre.

 A fidelidade, portanto, é a garantia de uma vida que foi salva. Mas, infelizmente, existe a possibilidade do abandono da fé, a apostasia, e esse número não é pequeno... O cristão que recebeu a luz da fé para reconhecer em Jesus o Salvador, e, no entanto, o abandona por causa das perseguições, dores, sofrimentos, doença ou por outras tantas mentiras, está se recusando viver da própria vida de Deus e por isso colocando em risco sua própria vida eterna.

 A esperança na força que vem de Deus é o sustento da fidelidade e da perseverança numa vida integra e verdadeira! Por isso, no momento da perseguição, da dor, do sofrimento, a confiança deve vir do Espírito que está presente no íntimo da pessoa e fará aparecer a verdade que está no interior de cada um. A verdade de uma vida se manifesta quando da provação...

Autor: Tácito Coutinho - Tatá - Moderador do Conselho da Comunidade Javé Nissi

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