Reflexões / Matutações

Sou Renovação Carismática

15/09/2017

A RCC está na raiz de minha experiência de Deus, de conversão, de Igreja, de comunidade, de missão... Sou Renovação Carismática, e, algumas vezes paguei “um preço” por isso. Tenho amor e zelo por esta expressão eclesial, esse movimento, que é também “corrente de graça”, desde os tempos de minha juventude, e “esses tempos já estão longe”... Esta é a razão pela qual as preocupações daquele “velho Simeão” “mexeram” comigo, e fizeram-me ficar matutando...

 Dom Paul Josef Cordes dizia que a "Renovação Carismática tem sido descrita como descoberta empírica do poder do Espírito Santo na Igreja e em seus membros, o que exige reflexões teológicas e pastorais, para que a Renovação permaneça viva no coração da Igreja. (...) Devemos reconhecer que essa profunda percepção do relacionamento pessoal a que a Renovação chama batismo no Espírito Santo, ou, derramamento do Espírito Santo, não faz parte de nenhum movimento em particular, mas da Igreja, que celebra os sacramentos da iniciação" – Reflexões sobre a Renovação Carismática Católica, 1999.

 Essa experiência do Espírito, que acontece de forma aleatória na vida da Igreja, de um modo geral, na RCC é considerada uma realidade normativa, um objetivo a ser alcançado, um acontecimento que "se espera que aconteça"; determina sua identidade e missão.

 Papa Paulo VI, em 1973, insistia que “a cristologia, e especialmente â eclesiologia do Concílio, deve seguir-se um estudo renovado e um culto renovado do Espírito Santo, precisamente como complemento indispensável do ensino conciliar". Olhando a história recente da Igreja vemos que a expressão eclesial que busca realizar, de maneira continuada e sistematizada, essa orientação pastoral, inegavelmente é a RCC.

 "A Renovação Carismática Católica tem ajudado muitos cristãos a redescobrir a presença e o poder do Espírito Santo em suas vidas, na vida da Igreja Católica e do mundo" – S. João Paulo II, 1979 ao ICCRS. Mas esse apostolado de Pentecostes, que é a missão da RCC, tem acontecido em meio às dificuldades, incompreensões e desvios. Nestes 50 anos não foi fácil promover essa experiência na "normalidade doutrinária da Igreja". Vivi isto “na pele”!

 Existe na realidade uma “certa tolerância” com a experiência pentecostal realizada na RCC e com o “batismo no Espírito Santo”. A visão sacramentalista estrita considera que “não há que se falar em "batismo no Espírito Santo", pois que "há um só batismo" - Ef4,5 e o Documento 53 da CNBB (nov. 1994) foi taxativo em aconselhar a "evitar o uso da expressão "batismo no Espírito Santo". Dizíamos na época: “tempo das catacumbas carismáticas”...

 Passados 50 anos, ainda muita gente, especialmente no clero, "torce o nariz" quando se toca no assunto de experiência do Espírito, “batismo no Espírito”, curas, libertação do mal, falar em outras línguas, profecias carismáticas... e, isso tudo, é parte essencial da experiência de Pentecostes!

 A corrente “mais engajada” da Igreja nos considera, ainda hoje, alienados e coloca sob a suspeita de subjetivismo e intimismo a experiência do Espírito. Ainda se discute a questão da “oração e ação”, como fossem coisas que se excluem. Sobrevive a exigência de um “engajamento pastoral” para justificar nossa pertença eclesial, desconsiderando todo trabalho de evangelização e testemunho realizado até aqui...

 Considerando o evento na casa de Cornélio – Atos 10,44 - o Espírito Santo não espera a "adequada enunciação de suas operações, para agir”. Ele continua soprando onde, como, quando e em quem quer. Nossas conceituações, enunciados, estruturas e normas, em nada modificam o significado e a realidade do agir do Espírito.

 Precisamos continuar, mais do que continuar, devemos renovar e reforçar o empenho pastoral de promover, de dar a conhecer ao cristão de hoje, aquilo que é fundamental para a capacitação de todos na Igreja, para o serviço de testemunhar Jesus Cristo com poder: a experiência do batismo no Espírito Santo!

Autor: Tácito Coutinho - Tatá - Moderador do Conselho da Comunidade Javé Nissi

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