Reflexões / Matutações

A fé e a política no Brasil

07/09/2017

Hoje de manhã, já cedo, a rua estava movimentada: estudantes iam para o desfile de “Sete de setembro”. Jovens, bem jovens, naquela algazarra barulhenta que é próprio desta idade. Esperança!

 Hoje é o Dia da Independência e não há como fugir do tema "Brasil"! Não há como deixar de matutar sobre a fé e a política, já que uma incide sobre a outra - deveria. A fé diretamente tem a ver com Deus e seu desígnio sobre a humanidade. Mas ela implica a vida social e é – deveria -, uma das formadoras de opinião e fator a ser considerado nas decisões sobre a vida. 

 A fé “funciona como uma bicicleta; possui duas rodas mediante as quais se torna efetiva na sociedade: a roda da religião e a roda da política. A roda da religião se concretiza pela oração, pelas celebrações, pelas pregações e pela leitura das Escrituras, pela comunidade cristã. Pela roda da política a fé se expressa pela prática da justiça, da solidariedade, da denúncia da corrupção. Como se vê, política aqui é sinônimo de ética. Temos que aprender a nos equilibrar em cima das duas rodas para poder andar corretamente” – Leonardo Boff.

 O exercício da política deveria ser a “administração correta e honesta da coisa pública”, mas quando transformada em “politicagem”, constitui-se no oposto das virtudes cristãs, que são à base da verdadeira civilização. E é isso o que leva muita gente a não ter esperança na política como solução para os problemas sociais e nem nos políticos como leais condutores do povo. Aqui é preciso considerar que o exercício da fé na política começa pela escolha de candidatos nas eleições, pois não podemos esquecer que fomos nós que empossamos os dirigentes atuais e os do passado que contribuíram para este “estado desastroso”.

 A Bíblia considera que a prática da virtude é o fundamento da ética na vida pública. São as práticas e não as “as intenções” que contam para Deus. Melhor que proclamar "Senhor, Senhor” é “fazer a vontade do Pai” – Mt 7,21, que é amor, misericórdia, justiça, coisas todas práticas, portanto, éticas.

 A prática das virtudes na política... A virtude da humildade, essencial ao cristianismo e à pacífica convivência humana, é a que menos se vê na política. A humildade consiste no esquecimento de si mesmo, na ausência de egoísmo, no desprendimento, na modéstia em relação a si próprio... A pobreza, o desprendimento, do desapego dos bens materiais e do dinheiro... A honestidade, a não acepção de pessoas, a caridade desinteressada, o comedimento nas palavras, o respeito para com o próximo, o amor pela verdade, a convicção religiosa, a fidelidade no cumprimento da palavra dada...

 Concretamente, fé e política se encontram juntas na vida das pessoas. A fé inclui a política, quer dizer, um cristão pelo fato de ser cristão, deve se empenhar pela justiça e pelo bem-estar social; também deve optar por programas e pessoas que se aproximem o mais possível daquilo que entendem ser o projeto de Jesus e de Deus na história. Foi o que o papa Francisco ressaltou quando esteve no Brasil.

 A fé transcende a política, porque a fé se refere também à vida eterna, à ressureição da carne, à transformação do universo, coisa que nenhuma política social e nenhum partido ou estado podem prometer...

 Já podeis da Pátria filhos / Ver contente a mãe gentil / Já raiou a liberdade / No horizonte do Brasil!

Brava gente brasileira! / Longe vá temor servil / Ou ficar a Pátria livre / Ou morrer pelo Brasil!

Autor: Tácito Coutinho - Tatá - Moderador do Conselho da Comunidade Javé Nissi

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