Reflexões / Matutações

A liberdade

04/09/2017

Discutia-se no almoço sobre a liberdade, que não é “uma calça velha e desbotada”, como diz uma canção. Tampouco consiste em fazer “o que se quer” e viver como “índio”, fundado somente na lei natural. Também não é “fazer o bem sem considerar a vontade a Deus” ou “sem considerar Deus”... A discussão foi longe...

 Fiquei matutando... A liberdade é um dos mais belos dons que Deus concedeu a nós, seres humanos. Para uma vida cristã comprometida com responsabilidade, a liberdade é fundamental, pois, pela fé, sabemos que Deus nos criou em liberdade e por causa da liberdade. Em Deus há infinita liberdade do infinito amor e Ele quer que participemos de sua liberdade, de seu amor e de sua felicidade. Esse desígnio de Deus chega à sua realização plena na encarnação do Verbo, a encarnação da liberdade, Jesus Cristo, o Libertador.

 Nossa liberdade é ordenada pela razão e pela vontade, e esta deverá estar direcionada para Deus, nossa referência e valor, pois só assim poderemos fazer nossas opções e ser capazes de assumi-las com responsabilidade. A liberdade caminha de mãos dadas com a responsabilidade, sem esta, o que era liberdade passa a ser escravidão.

 "O exercício da liberdade não implica o direito de dizer e fazer tudo. É falso pretender que o homem, sujeito da liberdade, baste a si mesmo, tendo por fim a satisfação de seu próprio interesse no gozo dos bens terrenos" - CIC 1740. O mau uso da liberdade causa a inversão de valores. O homem, criado livre, hoje é escravo do secularismo e das paixões desordenadas: chama de bom o que, de fato, não é bom.

 A raiz da verdadeira liberdade é a fé. Pela fé nos comprometemos com Jesus Cristo, o Filho, e este compromisso orientará toda nossa vida para dar a Deus o primeiro lugar e é isso o que nos faz livres. A liberdade em Cristo não é dos escravos, mas a de filhos – Jo 8,35, e isso implica na obediência ao Pai e a sua vontade. O Filho é verdadeiramente livre quando renuncia a própria vontade para fazer a vontade do Pai – Lc 22,42. Foi esta liberdade-obediência que nos salvou!

 Precisamos recuperar o que perdemos. Precisamos nos voltar para Deus, que é a fonte e fim de toda liberdade. "Quanto mais dóceis formos aos impulsos da graça, mais crescem nossa liberdade e nossa firmeza nas provas, pressões e coações do mundo" - CIC 1742. Quando mais obedientes a Deus, mais livres...

 O homem é livre na medida em que se torna capaz de amar a Deus e o próximo: "Vós, irmãos, fostes chamados à liberdade. Não abuseis, porém, da liberdade como pretexto para prazeres carnais. Pelo contrário, fazei-vos servos uns dos outros, pela caridade" – Gl 5,13. Deve a liberdade servir ao amor e o amor autêntico é a obediência a Deus e o serviço aos irmãos.

Autor: Tácito Coutinho - Tatá - Moderador do Conselho da Comunidade Javé Nissi

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