Reflexões / Matutações

O conteúdo das comunicações

24/08/2017

Estava na Associação do Senhor Jesus, Valinhos, numa jornada de trabalho cercado de tecnologia de comunicações, redes sociais, TV, informações, etc... Na viagem de volta, enquanto o rádio falava um “monte de coisas” nos intervalos das músicas, aliás, a maioria insuportável, diga-se de passagem, matutava sobre o conteúdo das comunicações e pensava: preciso começar usar um “pen drive” com músicas...

 Vivemos hoje num mundo essencialmente comunicativo. Uma explosão que teve seu início no século XX com o aperfeiçoamento da imprensa escrita e da fotografia, bem como a invenção do cinema, rádio, posteriormente a televisão, e hoje a internet etc. Hoje se comunica muito mais e melhor. Existe sobre nós uma avalanche de informações... Mas com que profundidade? Onde estará à verdade em tudo aquilo que nos é transmitido? Podemos fazer uma leitura do mundo a partir disso? Somos capazes de filtrar o que realmente é bom?

 Homossexualismo, uniões homo-afetivas, aborto, sexo, violência, corrupção, dramas sociais, atentados, etc. são assuntos tratados, muitas vezes superficialmente e de maneira tendenciosa, em programas de entrevistas, noticiários, programas da manhã “sérios” (sic), revistas e jornais “de credibilidade, “reality shows”, novelas”. O critério é aquilo que interessa seus produtores, e na maioria das vezes não é a verdade, mas sim o lucro. A verdade é submetida a valores comerciais e de popularidade (marketing).

 O mundo das comunicações, salvo as mídias cristãs, parece indiferente e até mesmo hostil à fé e à moral cristãs. Isso ocorre porque, em parte, a cultura dos meios de comunicação está influenciada pela pós-modernidade que afirma ser a única “verdade absoluta aquela segundo a qual não existem verdades absolutas ou que, se elas existissem, seriam inacessíveis à razão humana e, portanto se tornariam irrelevantes” – Fides Ratio. A tentação é deixar a parte as considerações da verdade e sua relevância na formação do caráter e da ética social.

 Esse ambiente das comunicações modernas não é mais amistoso para a evangelização do que o mundo pagão do tempo dos Apóstolos. Mas do mesmo modo que as primeiras testemunhas da Boa Nova não se retiraram quando se encontraram diante de oposições, assim também nós cristãos não podemos fazer hoje: "Ai de mim se eu não evangelizar!"? – 1 Cor 9, 16.

 A relação entre a realidade e a mídia tornou-se mais complicada. Se de um lado, as comunicações podem diluir a distinção entre verdade e ilusão, por outro, podem criar oportunidades sem precedentes para tornar a verdade universalmente acessível. A tarefa da Igreja consiste em assegurar o acesso à verdade a todos, isso é: proclamar sobre os telhados.

 Fico matutando essas coisas, ainda profundamente impressionado com a “parresia” de D. Daniel, Cardeal Arcebispo de Montevidéu e seu Bispo Auxiliar, D. Milton...

Autor: Tácito Coutinho - Tatá - Moderador do Conselho da Comunidade Javé Nissi

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