Reflexões / Matutações

São muitas exigências?

15/08/2017

“Dia desses” conversava com uma pessoa que durante algum tempo participou da vida da Igreja na Comunidade e grupo de oração. Havia desistido da prática da fé e, na conversa, foi dando o motivo: são muitas exigências!

 Fiquei matutando... Muitos começam seguir a Cristo, mas não estão dispostos a renunciar; ou então, mesmo desejando renunciar às tendências desordenadas, não escolhem meios eficazes para tanto. Assemelham-se ao doente que deseja a cura, mas recusa remédios por causa dos efeitos colaterais que possam existir. Possuem disposições contrárias ao chamado de Deus à santidade que exige renuncia. Por isso, jamais conquistarão a “saúde” de espírito e a vida eterna, que não se consegue só com desejos, mas com a prática da vontade do “Pai que está nos céus” – Mt 7,21.

 Alguns cristãos parecem querer a salvação, mas, na realidade, não desejam “tanto assim”. A preguiça é um mal que muitos sofrem e por isso não avançam: “o preguiçoso quer muito e nada tem” - Pr 13,4. Aspiram à santidade, mas não querem usar os meios necessários para atingi-la; anseiam pela virtude, enquanto os atrai, mas não a desejam porque exige muito, e abandonam a prática virtuosa. Em síntese, o preguiçoso não tem propriamente vontade, mas veleidade: eu gostaria, mas não quero.

 Devemos nos examinar para ver se, por acaso, estamos vivendo no engano de almejar o céu, mas recusando a cruz... Em outras palavras, a perfeição sem a virtude, a virtude sem a prática, a prática das virtudes sem a mortificação; a mortificação sem a humildade; a humildade sem humilhações; as humilhações sem a paciência; a paciência sem sofrimentos. Este é um engano enorme e fatal: “há caminhos que parecem retos, mas acabam levando à morte” - Pr 16,25.

 Tudo se resume em seguir a Cristo custe o que custar. É necessário, pois, precaver-se contra as veleidades. A veleidade se diferencia da convicção no efeito: a primeira cede diante das dificuldades e leva ao desânimo; a segunda insiste, fortalece, solidifica e persevera.

 “Nós não somos desertores para nossa perdição. Perseveramos na fé para nossa salvação” – Hb 10,39.

Autor: Tácito Coutinho - Tatá - Moderador do Conselho da Comunidade Javé Nissi

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