Reflexões / Matutações

O cristianismo exige a vida interior, exige a oração

11/08/2017

Estava matutando uma frase que li em algum lugar: “o cristianismo exige a vida interior, exige a oração”. O cristão necessita escutar em profundidade o apelo divino a respeito de sua vida. Jesus falou explicitamente desta necessidade e ensinou os seus discípulos a se colocarem em atitude orante - Lc 11,1.

Assim como o homem tem necessidade da comida para sobreviver, o cristão deve sentir necessidade de um alimento substancial que o refaz em cada novo dia. Este alimento é a oração. Não se trata aqui somente das orações formais que muitas vezes rezamos maquinalmente. Trata-se de colocar toda a minha pessoa e especialmente minha interioridade, o "coração" - sentimentos mais profundos e decisões livres -, num relacionamento de pessoa a pessoa com o Deus que me ultrapassa.

A oração é a escuta da Palavra de Deus, onde aceitamos ouvir o que Deus nos quer dizer a respeito de Sua Vontade. E uma atitude de entrega pessoal ao Deus da revelação, que tudo faz por nós - Is 43,4. Na oração colocamo-nos diante de duas realidades: a de Deus, infinito Amor e a nossa, limitada e contingente. Nossa oração deverá ser a do "convertido", isto é, daquele que procura colocar toda esperança na Sabedoria de Deus. É uma redescoberta gratuita, uma experiência de fé!

O homem tem em si uma sede de infinito, uma saudade de eternidade, uma busca de beleza, um desejo de amor, uma necessidade de luz e de verdade, que o impelem rumo ao Absoluto; o homem tem em si o desejo de Deus. E o homem sabe, de qualquer modo, que pode dirigir-se a Deus, sabe que pode rezar. “A oração é a expressão do desejo que o homem tem de Deus” – S. Tomás de Aquino. Esta atração por Deus, que o próprio Deus colocou no homem, é a alma da oração, que depois se reveste de muitas formas.

A oração não está ligada a um contexto particular, mas encontra-se inscrita no coração de cada pessoa. Como experiência do homem enquanto tal, é necessário ter presente que ela é uma atitude interior, e não só uma série de práticas e fórmulas, um modo de ser diante de Deus, e não só o cumprir gestos de culto ou o pronunciar palavras.

A oração tem o seu centro e afunda as suas raízes no mais profundo da pessoa; por isso não é facilmente decifrável e, pelo mesmo motivo, pode estar sujeita a mal-entendidos e a mistificações. Neste sentido podemos entender a expressão: rezar é difícil. A oração é o lugar por excelência da gratuidade, da abertura para o Invisível, o Inesperado e o Inefável. Por isso, a experiência da oração é para um desafio, uma “graça” a invocar, um dom d’Aquele ao qual nos dirigimos.

Autor: Tácito Coutinho - Tatá - Moderador do Conselho da Comunidade Javé Nissi

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