Reflexões / Matutações

Relativismo moral

26/07/2017

Não é difícil perceber que no contexto atual o cristianismo é desafiado a justificar sua razão de ser. “Ao negar a possibilidade de qualquer verdade objetiva, a pós-modernidade rejeita também a revelação bíblica como verdade universal e imutável” – Bento XVI. Como podemos responder ao desafio do relativismo moral que prevalece atualmente?

 Há pelo menos duas possibilidades de reafirmar a vida cristã num contexto pós-moderno. Primeiro, demonstrar as incoerências próprias da mentalidade secularizada dominante. Neste sentido, o argumento pós-moderno aparece frágil e incoerente. Ao afirmar que não há verdades absolutas, o pós-moderno cria uma verdade absoluta. “Quem quer que duvide da existência da verdade, possui em si mesmo, algo verdadeiro, de onde tira todo fundamento para a sua dúvida” – Santo Agostinho.

 Segundo, proclamar “sem culpas” a verdade do Deus verdadeiro em um mundo de mentiras. “Uma sociedade sem absolutos caminha para o caos moral”- Herminsten Maia. O profeta Isaías denunciou o caos moral do seu tempo acusando homens “que ao mal chamam bem e ao bem, mal; que fazem das trevas luz e da luz, trevas; põem o amargo por doce e o doce, por amargo!” – Is 5,20. Da mesma forma a Igreja é chamada para exercer sua vocação profética, denunciando o relativismo ético com a Palavra de Deus. Tal missão constitui-se num imperativo categórico para todo cristão em toda e quaisquer circunstâncias.

 Para os pós-modernistas, a moralidade é uma questão de desejo. A ética do desejo acaba sendo a da vontade (minha opção) de poder (meu desejo). Assim, algo se torna verdadeiro porque “eu escolhi que fosse verdadeiro para mim”. Essa tendência pós-moderna faz com que a religião não seja vista como um conjunto crenças sobre o que é real e o que não é. Ao contrário, a religião é vista como preferência. As pessoas creem naquilo de que gostam.

 Acreditar nos ensinos ou concordar com o que a Igreja crê, não tem mais relevância. A nota trágica desse comportamento é uma geração que desconhece completamente as implicações do seguimento cristão. Em lugar da pregação que conduz à convicção de pecado, a conversão  e à salvação por meio da cruz de Jesus Cristo, a uma tendência em pregar o “evangelho do bem estar”, da “prosperidade”, que visa satisfazer as “necessidades de consumo das pessoas”.

 A Igreja deve provar que as ideias ensinadas pela fé têm valor para a vida concreta. Isso implica que a ética cristã tem uma dimensão teórica, mas também uma dimensão prática. De nada adianta sermos gigantes na teoria e pigmeus na prática. A ética cristã na pós-modernidade não pode e nem deve se banalizada. Quando vivemos uma vida de justiça, então adornamos o nosso discurso e reafirmamos o Evangelho: “Carregando Ele mesmo em seu corpo, sobre o madeiro, os nossos pecados, para que nós, mortos ao pecado, vivamos para a justiça” - 1Pd 2,24.

 Não podemos subestimar o efeito trágico do relativismo ético. “Quanto mais uma mentira parece com a verdade, tanto mais diabólico é o fruto que ela produz”- Bento XVI. Todavia, resta-nos a firme esperança de que, apesar da hostilidade com que a visão cristã é rejeitada, a Verdade prevalecerá. Se as portas do inferno não conseguiram vencer a Igreja de Cristo, muito menos conseguirá uma cultura!

Autor: Tácito Coutinho - Tatá - Moderador do Conselho da Comunidade Javé Nissi

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