Reflexões / Matutações

Mais que uma ação superficial para mexer com as emoções

12/07/2017

A leitura dos Atos dos Apóstolos, capítulo 2, sempre me encanta. Algo extraordinário acontece ali. “De repente”: um ruído (como se fosse um vento) enche a casa; aparecem línguas de fogo; elas se repartem e ficam sob as cabeças. Fico matutando...

 O texto aponta a maneira como opera o Espírito Santo: não se trata somente de uma ação superficial para mexer com as emoções; Ele é sempre interior e avassalador. Mesmo quando age discretamente, sua obra é surpreendente: o homem novo. A santidade e a mudança de vida é a maior revelação do Espírito. Aliás, esta é sua verdadeira ação, que os fenômenos apenas sinalizam.

 Em Pentecostes duas coisas aconteceram: a casa ficou cheia do ruído (sinal da realidade), mas foram as pessoas que ficaram cheias do Espírito mesmo (realidade em si). Quando percebemos um “movimento” do Espírito, devemos esperar o resultado sempre em termos de concretude.

 Em Pentecostes, aqueles que obedeceram à ordem e acreditaram na promessa vivem a experiência: ficar cheios do Espírito. E qual foi o resultado concreto disso? Certamente a santidade pessoal, a evangelização com parresia... Mas outra coisa, a raiz de outros frutos, aconteceu: aqueles que ficaram cheios do Espírito receberam “um Mestre Interior”. O Espírito ocupa o lugar de Jesus como mestre. E de um modo mais eficaz, ouso dizer, porque “instalado” no coração.

 Antes os discípulos tinham Jesus como mestre (um só é o vosso mestre), agora eles são conduzidos pelo Espírito (deixai-vos guiar pelo Espírito). O que ocorre conosco também. Se deixarmos guiar pelo Espírito, “não satisfaremos os desejos da carne”. Muitas vezes pensamos que a conversão de vida, a mudança de atitudes, dispor-se a fazer o bem, é o suficiente. Podemos cair na tentação de pensar que a mudança de vida é fruto somente do esforço da inteligência humana, e não é.

 Precisamos de algo que nos induza à mudança, de forma insistente, presente. Não pode ser fora, mas dentro de nós e que seja mais forte do que nós. Precisamos de uma presença constante em nós. Uma força que ocupe não apenas as áreas periféricas de nosso ser, mas o centro pessoal, a raiz das intenções. Aquilo que a Bíblia chama de coração.

 Para mudar o homem é preciso habitar um lugar onde se originam suas decisões: as suas motivações e intenções. Onde se originam as concupiscências. E muitas vezes não conseguimos mudar porque não somos capazes de mudar essa raiz. O mundo interior está condicionado pelo pecado. Então o Espírito nos foi dado – Rm 5,5, uma força maior do que nossas concupiscências.

 O Espírito se torna o princípio motivador das nossas ações. O Diabo não ocupa esse centro. “O Espírito é o espaço da graça”. De modo que a conversão se torna algo habitual, quase espontâneo, como algo que eu sinto que parte do mais profundo de mim, embora exija esforço...

 A graça do Espírito não é um verniz. “Se vivemos pelo Espírito, andemos também segundo Espírito”...

Autor: Tácito Coutinho - Tatá - Moderador do Conselho da Comunidade Javé Nissi

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