Reflexões / Matutações

O Cordeiro de Deus que tira o pecado do mundo

07/07/2017

João em seu Evangelho apresenta Jesus como “o Cordeiro de Deus que tira o pecado do mundo” – Jo 1,29. Fiquei matutando: O que significa hoje esta imagem do cordeiro? A partir desta imagem, qual é o serviço essencial que hoje cabe a nós, seguidores de Jesus Cristo? Necessitamos retomar os nomes com que Cristo se identifica, para atualizar nossa própria identidade cristã. "Cordeiro de Deus" pode não significar nada para o homem de hoje!

 Nós, que fomos "santificados em Jesus Cristo e chamados a ser santos", para não cairmos em alguma deformação pseudo-espiritual, necessitamos assumir o perfil do Senhor no núcleo do nosso projeto de vida. Tal como foi definido por Isaías e pelo Batista, tal como o viveu Paulo, "apóstolo de Jesus Cristo pela vontade de Deus".

 Assumindo a expressão do Batista, podemos dizer que o serviço essencial e que atualiza a presença de Jesus, é o de "tirar o pecado do mundo" e fazê-lo "com Cristo e em Cristo", como diz a conclusão da Oração Eucarística, com a convicção de que ele venceu traçando "o sinal indelével" da sua aliança, "com os braços estendidos entre o céu e a terra".

 "Tirar o pecado do mundo" e não “os pecados”, mas o pecado essencial, radical, que desafia a salvação. Ou seja, "o esquecimento de Deus (a impiedade), fundamento definitivo de todo valor", com suas sequelas que costumam se manifestar em diversas formas de corrupção e degradação, que afetam as pessoas e danificam o conjunto do tecido social; a não-comunhão e a egoística não-convivência, que se expressam em muitos pecados pessoais e se estruturam socialmente em situações violentas, opressivas, injustas.

 O pecado do mundo nos "ativa" como uma bomba que, à sua hora, acaba explodindo. Todos nos podemos testemunhar as diversas formas com que se exerce: a violência em todos os ambientes, tomando-se então contagiosa; a corrupção endêmica de nossas instituições, fruto da ganância e egoísmo; a exploração dos bens de destinação universal em favor de grupos causando pobreza e danos a ecologia...

 Eleitos para servir, assumindo com discernimento a imagem bíblica do cordeiro, somos convocados para "desativar" o pecado do mundo, a partir de nosso próprio coração. A partir daí, projetar uma nova atitude na vida familiar, nas instituições civis, nos esforços políticos que procuram construir uma pátria de irmãos. Este é o modo mais autêntico de viver o amor de caridade, que dignifica aquele que o comunica e aquele que o recebe; amor de caridade, que é o coração de todo o Evangelho.

 Sobretudo, a partir da vida fraterna, das comunidades cristãs, poderemos viver uma forte experiência de reconciliação, solidariedade e fraternidade, como fonte de renovação de toda a vida social. Eleitos para servir, necessitamos recriar hoje nosso modo de ser cordeiro de Deus. A realidade do nosso mundo exige uma atitude "cordeiril", como dizia Hélder Câmara. Ou seja, uma atitude que, descartando o exercício de toda a violência, não perca a capacidade de sofrê-la, como o Cordeiro de Deus, Jesus Cristo.

 “Agnus Dei, qui tollis peccata mundi, miserere nobis”!

Autor: Tácito Coutinho - Tatá - Moderador do Conselho da Comunidade Javé Nissi

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