Reflexões / Matutações

Esta é a resposta a esse “mundo”

04/07/2017

A comunidade cristã, que se concretiza na história, por seu testemunho pelo Espírito deve poder mostrar aquilo que o mundo poderia ser se acolhesse Jesus como o Senhor e Salvador. Esta é a resposta a esse “mundo”. Resposta no sentido de que a raiz última dos males deste mundo é o ódio, a inveja, o egoísmo pessoal e coletivo, a falta de amor sob todas as suas formas; em resumo, aquilo que o cristianismo chama de pecado.

 Somente Jesus pode revolucionar em profundidade o coração humano e, por conseguinte, as estruturas. Só o acolhimento de Jesus como caminho, verdade e vida, penetra radicalmente no coração dos problemas e somente sua Igreja possui o poder de renovar não só a ela própria, mas também o mundo. Isso talvez soe estranho aos ouvidos de cristãos de fé fraca e de esperança vacilante.

 "Este mundo novo e esta terra nova" pode ser oferecida ao mundo através de comunidades cristãs em escala humana. Vendo os cristãos viverem, o mundo deveria receber um choque e perguntar-se: qual é o segredo deste amor mútuo, desta serenidade, deste esquecimento de si?

Então o nome de Jesus Cristo assumiria uma importância inesperada, porque a própria vida seria luz e transparência. É o sinal da credibilidade dado pelo próprio Jesus; é o argumento eficaz por excelência. A experiência da comunidade cristã, que resulta da experiência do Espírito, tem valor profético para o mundo.

 O testemunho da comunidade no Império Romano corroeu suas bases, questionou os que matavam e torturavam, propões um novo dinamismo. E nossas comunidades têm sido “profecia”? Sabemos ser esse um sinal claro do derramamento do Espírito.

 O "pequeno rebanho” do Evangelho (Lc 12,32) é o próprio símbolo de uma minoria cristã, esta minoria “abraâmica” é que na realidade, transforma o mundo. “A graça opera sempre através do pequeno número. A visão penetrante, a convicção ardente, a resolução indomável do Pequeno número, o sangue do mártir, a oração do santo, a ação heroica, a crise passageira, a energia concentrada de uma palavra ou de um olhar, eis os instrumentos do céu! Não temas, pequeno rebanho, pois é poderoso Aquele que está em teu meio”. – Cardeal Newman.

 Em cada época, a Igreja é convidada a não ser ela mesma sob pretexto de ser assim mais eficaz. É a tentação do recurso aos meios ricos para a conquista do mundo, quando o Evangelho proclama a força incomparável dos meios pobres.

 “Fujamos da tentação de confundir a renovação da Igreja com a transformação da sociedade. São sempre mais numerosos aqueles que põem em questão uma sociedade fundada sobre o dinheiro, o prestígio e o poder e que se engajam num combate para edificar uma sociedade que respeite mais o homem, fundada na liberdade, justiça, solidariedade. Os membros da Igreja são convidados a esta tarefa em nome das exigências do amor e da esperança. Mas se esta ação para transformar as mentalidades, os comportamentos e as estruturas não exprimirem os frutos do Espírito Santo, ela não tem origem no Espírito Santo, então esta ação não têm sentido” – D. Matacrin, in Espírito Santo nossa esperança.

Autor: Tácito Coutinho - Tatá - Moderador do Conselho da Comunidade Javé Nissi

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